Análise: Corinthians esbarra nas próprias pernas e no ímpeto da Chapecoense

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Por João Pedro Izzo

Após grande primeiro tempo diante da Chapecoense, com vitória parcial de 1 a 0, o Corinthians acabou saindo derrotado para o time catarinense por 2 a 1, com exibição muito fraca na etapa final. A questão é: porque o time mudou tanto (negativamente) para a etapa final? O Meu Timão explica para o torcedor alguns motivos que ajudam a entender a derrota alvinegra na Arena Condá.

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Com oito modificações na equipe titular e somente Cássio, Gabriel e Clayson considerados titulares, o Corinthians entrou em campo com: Cássio; Mantuan, Marllon, Léo Santos, Carlos; Gabriel, Araos; Marquinhos Gabriel, Mateus Vital e Clayson; Roger. Normalmente, com tantas mudanças assim, pode-se esperar uma equipe desentrosada, com pouco volume de jogo e certa desorganização, correto? No entanto, o Corinthians mostrou boas transições ofensivas, criou várias chances de gols e dominou a Chapecoense no primeiro tempo.

Primeiro tempo

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Reprodução / Premiere

Na imagem, fica claro o desenho tático de ambas as equipes: dois 4-2-3-1. O destaque foi o posicionamento interessante de Araos e Mateus Vital: o jovem chileno como o segundo volante da equipe, com liberdade para transitar, chegando várias vezes próximo da área, com muita facilidade na criação devido à fraca marcação adversária. Mateus Vital, por sua vez, jogou mais "solto", pelo meio, encostando em Roger por muitas vezes. Costumeiramente escalado pelas pontas, o camisa 22 do Timão acertou o travessão em grande jogada no primeiro tempo, além de distribuir bem os passes e melhorar a fluidez da equipe, que chegava fácil na área da Chapecoense, fazendo o primeiro gol logo cedo, com Marquinhos Gabriel, aos cinco minutos.

Mesmo toda mexida, a zaga corinthiana demonstrou tranquilidade e passou confiança na primeira etapa. Até mesmo os jovens laterais alvinegros subiram com facilidade. Mantuan até arriscou arrancada e chute no início da partida, não sofrendo atrás. Outro ponto positivo foi o lançamento longo de Cássio, que encontrava por vezes Araos ou Mateus Vital. Com as ligações diretas buscando os meio-campistas do Timão, o Corinthians se encontrava, por várias vezes, com superioridade numérica no terço final do campo. Isso facilitou a criação, pegou a marcação adversária desprevenida e fez com que as linhas da Chapecoense 'batessem cabeça', assim, o Corinthians poderia até ter feito mais gols no primeiro tempo.

Araos encontra Clayson livre na área; chileno fez grande jogo diante da Chapecoense

Momento em que Araos encontrou Clayson livre na área; chileno fez grande jogo diante da Chapecoense

Reprodução / Premiere

Segundo tempo

Como o próprio Mateus Vital falou em entrevista pós-jogo, o maior adversário da partida deste domingo seria a concentração da equipe. De fato, a intensidade, volume e ritmo do Corinthians da primeira etapa não foram os mesmos para o segundo tempo. Se antes o alvinegro conseguia envolver a Chapecoense com lançamentos longos, por exemplo, a equipe de Chapecó freou esse tipo de jogada.

O grande trunfo do adversário foi adiantar seus jogadores no campo do Corinthians, fazendo marcação alta e pressionando, portanto, Cássio e os jogadores de defesa. Sem muitas opções, tanto zagueiros quanto o goleiro eram obrigados a 'se livrar' da bola. Desta maneira, esta não chegava com a mesma qualidade nos jogadores de ataque.

Mesmo com a melhora do adversário e instalação da Chapecoense no campo do Corinthians com muita frequência, o Timão seguia com o placar positivo até os 21 minutos. Em lance de erro de cálculo de Cássio, a Chapecoense teve falta ao seu favor e chegou ao gol de empate.

Cássio teve erro individual diante da Chapecoense

Cássio teve erro individual diante da Chapecoense

Reprodução / Premiere

O estreante treinador Guto Ferreira observou a oportunidade em atacar e lançou o time após o gol de empate. Mesmo após 30 minutos de poucos avanços ofensivos e chutes, Osmar Loss promoveu a entrada de Ralf no lugar de Marquinhos Gabriel, o que acabou prejudicando a construção do Corinthians, fazendo com que o alvinegro recuasse mais, "chamando" a Chapecoense para o seu campo.

Com dois primeiros volantes que, por característica, não avançam e pouco contribuem ofensivamente, Osmar Loss imaginou que Gabriel e Ralf pudessem frear o ímpeto da Chapecoense. Desta forma, Araos foi deslocado mais à frente e Mateus Vital chegou a atuar como ponta esquerda.

Contudo, o que se observou foi que o Corinthians perdeu completamente a capacidade de criação e não corrigiu o principal problema do segundo tempo: a falta de transição ofensiva. Sem a contribuição defensiva que Ralf pode prover, a Chapecoense se aproveitou do ímpeto e euforia após o gol marcado. É válido dizer que o camisa 15 ainda se encontra com pouco ritmo de jogo em virtude de lesão na panturrilha ocorrida no mês de julho.

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Reprodução / Premiere

A imagem acima demonstra a dificuldade do Corinthians no segundo tempo. Mantuan avança pela direita, mas é obrigado a voltar a jogada por falta de opções. Pedrinho está distante, assim como os demais atletas de ataque. Sem as linhas próximas, não houve possibilidade de triangulação, jogada característica e tão pedida pelos recentes treinadores que obtiveram sucesso pelo Timão.

Aos derradeiros 49 minutos de jogo, cabe destacar a falta de concentração do Corinthians, fato ressaltado pelo técnico Osmar Loss após o jogo. Mateus Vital perdeu bola e, na sequência, Gabriel reclamou de possível falta sofrida. O juiz da partida, Grazianni Maciel Rocha, não apontou a infração e deu prosseguimento ao lance. O camisa 5 do Corinthians continuou reclamando, não pressionou Canteros e o meia da Chapecoense serviu Márcio Araújo, que bateu cruzado. Cássio resvalou na bola, que sobrou livre na esquerda da área. Nenhum jogador do Corinthians estava bem posicionado para o rebote e, assim, Doffo marcou ao chutar para o gol vazio.

Como apontado pelo Meu Timão, foi a quarta vez que o Corinthians cede derrota após os 40 minutos da etapa final. Além dos problemas de intensidade e leitura de jogo que o Corinthians apresentou no segundo tempo diante da Chapecoense, é preciso entender que o treinador do Timão, Osmar Loss, ainda não encontrou o tão pedido equilíbrio da equipe, fato celebrado e marcante dos times de Fábio Carille, Tite, Mano Menezes, etc.

Para esta quarta-feira, quando o Corinthians volta a enfrentar a Chapecoense, na mesma Arena Condá, agora pela Copa do Brasil, é necessário que os problemas da partida deste domingo, no Brasileirão, não aconteçam: falta de concentração e de equilíbrio. Em um mata-mata com jogo de ida e volta, tais erros não costumam ser perdoados. E o elenco do Corinthians precisa estar atento a isso.

Veja mais em: Campeonato Brasileiro e Osmar Loss.

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