Corinthians conta história de torcedor vítima de racismo e facadas no mês passado

960 visualizações 15 comentários Comunicar erro

Por Meu Timão

Corinthiano fanático, Juarez foi vítima de racismo e facadas em Bauru

Corinthiano fanático, Juarez foi vítima de racismo e facadas em Bauru

Arquivo pessoal

O Corinthians publicou neste domingo, em seu site oficial, a história do corinthiano Juarez Xavier, professor da UNESP (Universidade Estadual Paulista) de Bauru, que foi alvo de ofensas racistas e de facadas no último mês de novembro.

Juarez é um professor negro de 60 anos e ativista social contra o racismo, com ampla bagagem sobre o assunto. No último dia 20, justamente no Dia da Consciência Negra, ele foi abordado por um homem que começou a reproduzir xingamentos racistas em sua direção. Ao questionar o indivíduo e pedir que ele se retratasse, Juarez foi atacado com facadas. Por conta disso, teve que ficar afastado do trabalho por um tempo, mas já se recuperou fisicamente.

"Não era uma pessoa conhecida, eu nunca vi aquela pessoa na minha vida, não tinha a menor ideia de quem era. Ela passou por mim na rua, apontando ostensivamente uma coisa em minha direção e atravessou a rua. Eu fiquei olhando, não ia dar as costas para a pessoa, quando em um determinado momento ele ergueu os braços e me chamou de macaco. Eu atravessei a rua e fui tirar satisfação, e quando eu o chamei, ele já virou com a faca na mão. E diante desse cenário, eu não tinha como não me proteger. Ele me esfaqueou, eu reagi, tentei contê-lo, imobilizá-lo, e nem percebi que teve um segundo esfaqueamento, só percebi quando o pessoal do Samu viu que eu estava sangrando. A partir daí teve a chegada de pessoas da rua, que me socorreram e detiveram o agressor até a chegada da Polícia", disse, e logo depois acrescentou:

"Então foi uma situação de uma pessoa que eu não conheço, que me ofendeu na rua, eu fui exigir retratação e ele me esfaqueou. Foi uma das coisas mais estúpidas que eu já vi na minha vida de pessoa adulta envolvida na luta pelos direitos humanos. Nunca imaginei que poderia viver uma situação como essa", concluiu o corinthiano.

Com a chegada do Samu, Juarez foi atendido e depois registrou um Boletim de Ocorrência contra o agressor. O corinthiano contou que, no entanto, no momento do registro, o delegado optou por penalizar o agressor por lesão corporal e injúria racial, e não tentativa de homicídio e racismo.

"Quando a gente foi fazer o Boletim de Ocorrência o delegado optou por tipificar como lesão corporal e não como tentativa de homicídio, que é um crime grave, além de injúria racial em vez de racismo, que não permite pagar fiança e é um crime imprescritível (que não perde a validade com o tempo). Estamos questionando essa tipificação, e vamos entrar com uma representação junto ao Ministério Público", contou o professor.

Já sobre o Corinthians, Juarez contou que acompanha o time desde pequeno, herdando esse amor de sua mãe e alguns outros parentes. Frequentador do estádio, o professor revelou que pode ver Rivellino e Pelé no primeiro jogo que assistiu das arquibancadas do Pacaembu.

"Nasci na zona norte, de um pai caminhoneiro que faleceu em 1970 e uma mãe boia-fria, depois operária têxtil e terminou a vida como empregada doméstica. Quando eu morava na zona norte, houve um episódio trágico no bairro, com a morte de três pessoas do meu círculo de amizades. Minha mãe então decidiu nos mudarmos para a zona leste, onde cresci, estudei e me criei. O corinthianismo eu herdei da minha mãe, que era fanática – quer dizer, é tautologia né, ela é corinthiana (risos). Sou de uma família de torcedores, minhas tias, sou corinthiano desde que tenho memória. E na Vila Mazzei havia um grupo de jovens negros fundamentalmente corinthianos, e alguns torcedores de outros times como Santos e Portuguesa. Dos outros times quase não havia torcedores. O primeiro jogo que assisti no Pacaembu foi um Corinthians e Santos, que terminou 1 a 1. Pude ver Rivellino e Pelé em campo", revelou.

Fanático pelo Timão, Juarez contou que em 1976 esteve no Rio de Janeiro, participando da Invasão do Maracanã. Na época, ele trabalhava em uma fábrica onde conheceu outros torcedores alvinegros, que participavam do núcleo da torcida "Até a Morte". Junto deles, Juarez foi até a cidade carioca apoiar o Timão.

"Eu fui trabalhar em uma fábrica onde haviam muitos corinthianos, muitos mesmo. E foi lá que conheci o núcleo de uma torcida chamada “Até a Morte”. E lá eu permaneci nesse núcleo fanático, até que fomos para a Invasão no Maracanã, que foi um dos momentos mais importantes da minha trajetória como torcedor. Também fui para as duas primeiras finais do Paulistão de 1977, mas na terceira decidi ficar em casa para cuidar da minha mãe", assumiu o torcedor fanático.

Mesmo fazendo parte de uma das maiores invasões da história do clube, o professor não vê esse como o maior título do Corinthians, mas sim o de 1977, que tirou o clube do longo jejum sem títulos estaduais.

Ainda segundo Juarez, o troféu foi conquistado depois de inúmeras decepções e de maneira suada, com muita batalha.

"Para a minha geração, o maior título da história do Corinthians é o de 1977. Eu sou de uma geração que passou anos sendo zoada na escola, que amargou derrotas importantes – por exemplo, eu tinha certeza que ganharíamos o Estadual dois anos antes, mas perdemos. Tivemos times maravilhosos, jogadores maravilhosos que eu lembro com muito carinho. Adoro o Rivellino, adoro o Adãozinho, acho que foi um dos maiores jogadores que passaram pela história do clube. Também adorava a defesa do time nos anos 1970. Mas nós não tínhamos títulos. E de repente um título suado, batalhado como aquele. No segundo jogo eu estava no Morumbi e tinha certeza absoluta de que ganharíamos a partida, e o Rui Rei calou o estádio. Para mim foi o mais belo, mais extraordinário, mais emocionante título que conquistamos. Depois com os que vieram eu até fiquei mal acostumado (risos), mas o de 1977 é inigualável para mim", afirmou.

Corinthians e o racismo no futebol

Infelizmente o racismo ainda acontece também no futebol. Recentemente, atletas como Dentinho, Taison e Malcom foram vítimas de atitudes racistas no exterior. Além deles, Gil foi ofendido em jogo no Uruguai e Júnior Urso também relatou casos de racismo enquanto jogava na China.

No último mês, uma campanha de combate ao racismo ganhou forças na internet. No dia 20, o Corinthians publicou um vídeo com depoimentos de atletas e funcionários do clube que já sofreram com o racismo.

Veja mais em: Torcida do Corinthians.

Veja Mais:

  • AO VIVO: Quinta força?! Como Corinthians chega ao Paulistão

    VÍDEO: quinta força, polêmica da Flórida e Rony: como Corinthians chega à Libertadores

    ver detalhes
  • O volante Jean é um dos jogadores que não fazem parte dos planos para a temporada

    Negociação esquenta e volante pode ser mais um a deixar o Corinthians

    ver detalhes
  • Corinthians faz sua estreia no Campeonato Paulista na próxima quinta-feira

    Semana do Corinthians tem dois jogos pelo Paulistão, decisão na Copinha e rodada dupla do NBB

    ver detalhes
  • Corinthians já demonstra desânimo por Rony; Palmeiras deve ser o destino

    [Rodrigo Vessoni] Corinthians já demonstra desânimo por Rony; Palmeiras deve ser o destino

    ver detalhes
  • Matheus Pereira pode ser o novo reforço do Barcelona para 2020

    Meia revelado pelo Corinthians está próximo do Barcelona, afirma diretor da Juventus

    ver detalhes
  • Estrutura metálica da escada que ligará a Arena ao Metrô

    Corinthians confirma reformas para melhorar acesso do torcedor à Arena; confira novidades

    ver detalhes

Últimas notícias do Corinthians

Comente a notícia: