Augusto Melo em coletiva de apresentação no Corinthians

Augusto Melo em coletiva de apresentação no Corinthians

Foto: Rodrigo Vessoni / Meu Timão

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'Jamais'

Augusto Melo descarta pedido de renúncia ao cargo de presidente do Corinthians

Por Felipe Sales e Matheus Quintino

A Polícia Civil está na fase final do inquérito que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e associação criminosa, além de ligação com o crime organizado, durante a intermediação do contrato de patrocínio do Corinthians com a VaideBet. Augusto Melo, que prestou depoimento como investigado , revelou que nunca pensou em renunciar ao cargo de presidente do Timão, mesmo que seja indiciado.

"Jamais. Jamais. Não tenho problema nenhum com isso, não tenho nada a ver com isso. Como eu falei, a minha negociação, tanto com R$ 1 milhão e R$ 400 mil, é a mesma com R$ 1 bilhão e R$ 150 milhões. Sempre as mesmas negociações, sempre as mesmas participações. E tudo que eu faço tem um jurídico que me dá suporte, tem um comitê que me dá suporte. Então, não tenho problema nenhum com isso. Ao contrário, eu me dispus a tudo isso. E aí o doutor Cury (advogado do Augusto) pode falar melhor a respeito do que fizemos em termos de frear tudo isso. Mostra a nossa idoneidade e o que a gente queria que realmente esse processo fosse investigado o mais rápido possível. Então, jamais (pensei em renunciar). Primeiro, porque não tenho nada a ver com isso. Segundo, eu estou aqui em prol do Corinthians. Eu não preciso do Corinthians, eu não vivo do Corinthians, eu vivo para o Corinthians. Eu tenho os meus afazeres. E eu, por que as outras, quantos patrocínios eu trouxe? Por que os outros não tiveram problema? E teve intermediário em outro também, que isso é um direito de mercado, isso faz parte", iniciou o mandatário em entrevista coletiva realizada nesta sexta-feira para apresentação de novos diretores do Corinthians.

"Atletas, para você ter uma ideia, têm um empresário; outro dia teve uma especulação de um atleta que está no Corinthians. Dois intermediários, um indica para o outro, o outro indica para o empresário, ou esse vem indicar para um presidente ou para um diretor de futebol. Então, o futebol também está assim, o futebol chega a ter dois intermediários. Agora, no geral, o futebol tem um empresário e um intermediário que é o que indica. Então, hoje é assim, é normal. Agora, contra isso, nunca sentei com ninguém, nunca tomei café com ninguém; não tenho telefone de ninguém e nunca foi discutido nada sozinho. Sempre discuto com o presidente de empresas e sempre tem alguém nos acompanhando, justamente por isso", completou.

Mesmo sem renunciar, Augusto Melo pode deixar o cargo de presidente do Corinthians nos próximos dias, isso porque ele enfrenta quatro pedidos de impeachment de seu mandato. No dia 26 de maio, um deles, correspondente ao Caso VaideBet, será votado e Augusto pode ser afastado . Dos outros três, um foi enviado pelo conselheiro Paulo Roberto Barros, devido à reprovação de contas , um do Cori, por falta de documentos, e um da Comissão de Justiça do Conselho Deliberativo . Apenas o da VaideBet já foi aprovado para votação.

Defesa afirma que Augusto Melo não será indiciado

Ricardo Cury, advogado de Augusto Melo, afirmou que o presidente do Corinthians não será indiciado no Caso VaideBet e alegou que não há elementos para tal. Cury ainda explicou que não houve omissão do presidente em investigar o caso após a divulgação da matéria publicada pelo jornalista Juca Kfouri, do UOL.

"Existem outros investigados. Mas o presidente Augusto não será indiciado, não há elementos para o indiciamento do presidente Augusto, e eu justifico. Justifico para não parecer só uma coisa lançada e, como já é uma estratégia que já foi também publicizada pela defesa, não é nada novo. Do ponto de vista criminal, para responsabilizar alguém, a responsabilização envolve indiciamento, denúncia, condenação e condenação definitiva. A primeira etapa é o indiciamento para responsabilização criminal. O potencial investigado tem que ter uma ação ou omissão praticada por ele, investigado. Nesse caso da VaideBet, não há nenhuma ação ilegal do presidente Augusto e muito menos omissão indevida. Nós juntamos no inquérito uma série de documentos que estão lá, que foram providências tomadas pelo presidente Augusto assim que saiu a matéria do colega de vocês, Juca Kfuri. Esse é o start do caso VaideBet. Eu tenho todas as datas aqui, depois, eu posso disponibilizar para os jornalistas. Então, sai a matéria do Juca Kfuri, e aí nós temos a cronologia. Isso foi apresentado no depoimento do presidente, para o delegado e para o promotor, e a defesa juntou toda a documentação no inquérito. Sai a matéria do colega de vocês, várias coisas acontecem até a instauração do inquérito. Várias, inúmeras coisas acontecem, inúmeras providências do Corinthians foram tomadas com relação à Rede Social, com relação à VaideBet, com relação a um aditivo da Ernst & Young para investigar internamente o contrato da VaideBet. Que, depois, essa investigação da Ernst & Young, iniciada, ela foi interrompida por orientação do jurídico à época, do doutor Pantaleão, para o presidente", iniciou.

"O presidente sempre seguiu as orientações dos seus dirigentes. Então, omissão não teve, porque várias providências foram tomadas. E a ação ilegal do presidente? Nenhuma ação ilegal. Esse contrato, ele seguiu essa negociação e depois o contrato seguiu o fluxo normal dentro do Corinthians. Passou por todos os departamentos do Corinthians, inclusive o departamento, a diretoria jurídica e o compliance à época do Corinthians. Passou pelo marketing. Passou pelo financeiro, passou pelo administrativo, passou por toda a estrutura e o programa de integridade e compliance da VaideBet. Sabe quem foi o último a assinar o contrato? Foi ele. O contrato chegou para ele já assinado por todo mundo. Inclusive pelo intermediário, que chegou a informação para ele na época que tinha intermediação no negócio. Como chega a intermediação em outros negócios? Então, a ação não teve, a omissão não teve, como é que vai responsabilizar criminalmente uma pessoa? A defesa está muito incomodada com esse caso. Muito incomodada. O presidente Augusto não será indiciado. Não há menor possibilidade dele ser indiciado, quem dirá denunciado, condenado ou condenado definitivamente. O presidente não há nenhuma ação ilegal e nenhuma omissão indevida. Está tudo documentado", completou.

Em maio de 2024, o jornalista Juca Kfouri denunciou que a empresa Rede Social Media Design LTDA, ligada a Alex Cassundé, que fez parte da campanha de Augusto Melo, teria repassado R$ 900 mil para a empresa Neoway Soluções Integradas e Serviços, supostamente "fantasma". Isso ocorreu após o patrocínio de R$ 360 milhões da VaideBet com o Corinthians, no qual a intermediária teria direito a 7% do valor total, cerca de R$ 25,2 milhões.

Após a denúncia, a Polícia Civil de São Paulo iniciou uma investigação de que parte do dinheiro do patrocínio foi movimentada por meio de empresas, incluindo algumas supostamente "fantasmas". Após as denúncias se tornarem públicas, a VaideBet rescindiu a parceria. Durante um ano de investigação, a polícia rastreou o caminho do dinheiro, descobrindo que o Corinthians fez dois depósitos, totalizando R$ 1,4 milhão, para a Rede Social Media Design LTDA. Além de Augusto Melo, Alex Cassundé, o ex-diretor administrativo Marcelo Mariano, e o ex-superintendente de Marketing Sérgio Moura também foram ouvidos pela polícia como investigados.

Como reportado pelo Meu Timão, a Polícia Civil entendeu como contraditórios os depoimentos dos quatro investigado s. Todos negaram irregularidades. Por conta da repercussão, o presidente do Corinthians foi alvo de um processo de impeachment, ainda em 2024, que será votado no fim do mês. O Conselho Deliberativo convocou a reunião para o dia 26 de maio, no salão nobre do Parque São Jorge .

Veja mais em: Caso VaideBet, Diretoria do Corinthians, Impeachment e Augusto Melo.

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