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Post de André no fórum "Bate-Papo da Torcida" do Meu Timão

Já aviso que o texto é um pouco longo para os impacientes e sem tempo. Mas o fascínio que o Corinthians me ocasiou nesse início de temporada foi tanto que eu tive de começar a entender como a equipe joga. Estou obcecado.

Tite voltou de seu ano sabático falando que estudou o futebol moderno profundamente. Sem rodeios, as últimas quatro rodadas jogadas pelo Corinthians comprova que o técnico não mentiu.

Foi um time agudo, intenso e, pasmem, não recuou um minuto. E, essa última ação, muito em função do nosso meio campo - o setor mair promissor e que pode nos render mais um ano mágico como foi o de 2012 (o que não é impossível, porque aqui é Corinthians).

O Corinthians do novo Tite é um time cujo esquema tático tem tudo para transformar o sistema de jogo no melhor e mais consistente do Brasil, na minha modesta opinião. Para explicar isso, gostaria de fazer uma análise sobre como vejo a tática e a estratégia empregada pelo treinador neste ano, que muito se assemelha ao que Barcelona, Bayern e, principalmente, a Alemanha campeã do mundo no Brasil fizeram – com suas devidas proporções, é claro.

Vamos voltar alguns meses no tempo – ou melhor, no período de junho a julho do ano passado, na Copa do Mundo do Brasil. Vamos lembrar da campeã Alemanha, a seleção cujo sistema tático é o que melhor pode ilustrar o Corinthians do moderno Tite.

Os alemães vieram ao Brasil depois de três copas do mundo, batendo na trave, caindo nas eliminatórias apesar de jogarem um futebol pra lá de consistente. Mantiveram a base, revelaram novos jogadores – enfim, tudo o que é conhecido e já foi falado a bons bocados.

O que nos interessa é a questão estratégica e tática empreendida pelo time do técnico Joaquim Law. A Alemanha jogou num sistema de 4-1-4-1 (como sabemos, vem sendo muito comentado nesse início de temporada) que variou para estilos de 4-3-3 e 4-1-2-3. Além disso, havia alternância de seus meias que se tornavam verdadeiros atacantes, principalmente quando jogava com um falso centroavante (Goetze).

A Alemanha, na final da Copa, foi à campo com o seguinte time: 1-Manuel Neuer; 16-Philipp Lahm, 20-Jerome Boateng, 5-Mats Hummels, 4-Benedikt Hoewedes; 7-Bastian Schweinsteiger, 6-Sami Khedira, 13-Thomas Mueller, 18-Toni Kroos, 8-Mesut Ozil; 11-Miroslav Klose

Aqui vemos que há um atacante fixo de área – o que é importante para compararmos ao Timão (não em matéria da qualidade dos jogadores, mas as funções que cada um desempenha).

Podemos imaginar o sistema solar com uma série de planetas flutuando ao redor dele, cada um com sua rotação.

O meio-campo teve Kehdira, como primeiro volante; Schweinsteiger, o segundo volante, que se posicionava mais próximo à linha que marca a passagem da defesa ao ataque; Muller, que fazia o lado esquerdo com uma movimentação vertical; Kroos, o homem mais centrado da linha ofensiva; e Ozil, o homem da flutuação do meio-campo e pelas jogadas criativas capaz de deixar qualquer um na cara do gol.

Hoje, o Timão tem: Ralf – Elias – Renato Augusto – Jadson – Emerson Sheik. Muitos aqui dirão – mas o Sheik é atacante, não meia. Mas notem: em nenhum dos jogos o Sheik foi um jogador agudo ofensivamente. Ele acompanhou os laterais e, somente em dados momentos da partida, se aproximou do atacante de área fixa – bem como Muller faz.

Para entender a mecânica do meio-campo do Timão é preciso saber que, neste esquema, quanto mais se concentram jogadores de qualidade, há mais probabilidade de sucesso ofensivo – o que é óbvio, de maneira lógica.

Mas isso o Corinthians tem. O Ralf é o cara da segurança, desarma e protege a zaga como ninguém; o Elias é o homem da aproximação e saída de bola, que tem também a incumbência de atacar e infiltrar na área para marcar bem (bem fisicamente, teremos um grande ano do jogador em 2015); Renato Augusto é, com perdão da comparação, um Toni Kroos. Reparem o desenho tático do jogador no Real Madrid e o de Renato Augusto quando ocupa a faixa diagonal da esquerda quando o time sai para o ataque. Ele é o cara da passagem da bola na parte mais ofensiva do sistema, que faz a ligação com qualidade e tem competência para investidas mais agudas, segurar a bola, fazer o pivô e chutar de fora da área; Jadson é o Ozil, o cara que flutua – e para fazer bem, tem de se movimentar bem;o Sheik é o cara do lado do campo que faz as vezes de segundo atacante ou divide a infiltração com Elias quando temos um centroavante falso, como Danilo ou Luciano.

Outra lição que devemos gravar do time do Corinthians neste começo do ano: seremos um time que valorizará a posse de bola, pacientemente, mas ao mesmo tempo jogando verticalmente, em busca do gol sem rodeios. É um time que joga agrupado em um lado do campo para abrir espaços do outro lado – e para isso é fundamental o apoio dos laterais. Notaram como Fábio Santos e Fagner atacam bem mais do que nos últimos anos?

Para ilustrar isso que disse, vou citar dois lances: o primeiro é no gol de Fagner contra o Once Caldas, na primeira partida. Lembram-se da jogada? Sheik recebeu a bola de Ralf na esquerda, prendeu com paciência, voltou a bola a Ralf que dominou e virou a jogada. Fagner dividiu de cabeça, a bola sobrou para Renato Augusto (que jogava de falso 9), abriu espaço para Fagner que recebeu a bola do RA de calcanhar e fez o gol.

Outro lance aconteceu na última quarta-feira, parecido com este último, quando Sheik virou uma bola que deixou Jadson na cara do gol para fazer – mas este perdeu.

Lembram-se de que o PVC disse, na transmissão do jogo (para quem acompanhou o Fox Sports) que o time do Corinthians estava amadurecido? Pois é. É a questão da valorização da posse da bola.

Para valer um esquema tático como esse, com jogadores de qualidade concentrados no meio-campo, é preciso fazer a bola rodar, de pé em pé, sem ligação direta ou erro de passes na saída. O pior momento do Corinthians no ano, foi justamente o início do segundo tempo da partida de volta contra o Once, quando Elias e Jadson erraram passes demais e forneceram muitos contra-ataques.

Para não me alongar muito, queria dizer uma coisa: atenção para Christian, que está no banco, e Bruno Henrique. São dois jogadores de boa categoria e que podem fazer uma saída de bola mais precisa se jogarem como primeiro volante: principalmente Christian que arma e desarma como ninguém.

Assim, eu acho que o time do Corinthians tem tudo para ser um grande time em 2015.

em Bate-Papo da Torcida > Análise tática: o moderno Corinthians e o futuro de seu meio campo

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