Herói de 77 será colunista do Meu Timão

Herói de 77 será colunista do Meu Timão

Por Walter Falceta

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Wladimir será o mais novo colunista do Meu Timão

Wladimir será o mais novo colunista do Meu Timão

Foto: Meu Timão

Quem o vê por aí, lépido, fagueiro, sorridente, ainda amante da bola, não lhe adivinha a idade.

Mas Wladimir Rodrigues dos Santos, um dos heróis da conquista de 77 e líder da Democracia Corinthiana, nasceu em 1954, ano do último título paulista conquistado pelo Timão antes do incômodo jejum de 22 anos, oito meses e sete dias.

Em 29 de agosto, portanto, completará 63 anos de idade. Em sua rica trajetória de vida, tomou contato com o futebol por meio do avô, que ouvia as partidas do Paulistão em um velho rádio de mesa.

Com a pelota, a relação logo se aprofundou. Era futebol dia e noite, no campinho, na rua, no quintal e, para desespero da mãe, Dona Diva, na sala de casa.

Alçado do Brasil de Vila Pompeia ao Corinthians, realizou um sonho de criança. No Parque São Jorge, no entanto, quase foi dispensado pelo rigoroso técnico Rato. A alegação? Era pequeno, franzino demais.

Ora, mas se tinha apenas 1,67 m, sobrava-lhe rapidez, coragem e vigor físico. E, assim, elogiado pelos companheiros, Wladimir permaneceu entre os bambas, aprimorando-se no Terrão.

Praticante do jogo limpo, disciplinado e cumpridor de horários, ganhou também o respeito e admiração da comissão técnica da equipe principal. Em 1972, estreou no time de cima.

Iniciava-se, pois, uma saga extraordinária. Wladimir atuaria pelo Corinthians em 806 jogos, tornando-se, assim, o jogador que mais vezes envergou nosso manto sagrado.

Mais do que um atleta, esse espetacular lateral-esquerdo abraçaria com amor a cultura corinthianista, aquela criada pelos operários, carroceiros e pequenos comerciantes que fundaram o clube, em 1910, no Bom Retiro.

Para Wladimir, o Corinthians era muito, muito mais que um simples time de futebol. Era, na verdade, a expressão mais viva do povo brasileiro, que trabalha, luta e não desiste nunca.

Em campo, encarnou o mais puro espírito guerreiro. Incansável, não oferecia trégua aos pontas adversários. Na antecipação, na parede sólida ou no carrinho, era garantia de qualidade, de mistura de garra e competência.

Wladimir teve participação destacada no título de 1977, especialmente nos jogos finais. É dele, por exemplo, a bola de cabeça que, salva pela defesa da Ponte Preta, antecede o gol de Basílio.

Depois, o grande lateral conheceu o Doutor Sócrates, tornando-se um de seus maiores amigos e seu guia no entendimento da “psique” corinthiana.

Pouca gente sabe, mas Wladimir já se destacava, desde o ensino médio, pela compreensão profunda da realidade política e social brasileira.

Sabia que o racismo atrasava o Brasil e que o regime militar oferecia altos obstáculos ao rito civilizatório.

Pensando com seus botões, concluía que o sistema de governo autoritário, responsável pela censura e por assassinatos de opositores do regime, deveria ceder lugar a um modelo democrático de gestão do Estado.

No início dos anos 1980, com o vice-presidente de futebol, Adílson Monteiro Alves, e os colegas Sócrates e Casagrande, instituiu a Democracia Corinthiana, a mais espetacular experiência de co-gestão na história do futebol mundial.

Logicamente, muita gente não viu com bons olhos aquela iniciativa. Por isso, Wladimir e seu grupo tiveram que enfrentar críticas e também calúnias e difamações, parte delas difundida pela grande imprensa.

A verdade é que a gestão colegiada, a dinâmica do voto e os debates culturais não prejudicaram o rendimento em campo. E, assim, o Coringão foi bicampeão paulista, em 1982 e 1983, época em que o estadual ainda gozava de enorme prestígio.

Wladimir era um rebelde, sim, mas que mantinha o foco no trabalho, realizando-o sempre com primor. Nessa época de transições, começou até a se aventurar no ataque. Na vitória por 10 a 1 sobre o Tiradentes, em 1983, marca um gol de bicicleta que, certamente, se inscreve como um dos mais belos da história mosqueteira.

Há outro dado relevante em sua história. Wladimir fez nada menos que 163 jogos consecutivos pelo Timão. Não faltou à obrigação por punição disciplinar nem por contusão. Jogou com febre, com costela quebrada e feridas nos pés, sem reclamar.

Seu objetivo foi, desde sempre, honrar o trabalhador que investia suas economias no espetáculo do futebol. “Eu sabia o quanto nossa participação era importante para o torcedor, de modo que eu tinha que servi-lo e transformar seus sonhos em realidade”, afirma.

Em 1984, ele está nos gramados e nas ruas, participando ativamente do movimento pelas Diretas-Já. Torna-se, assim, também uma das figuras de relevo no processo de redemocratização do país.

Figura de ação e pensamento, Wladimir estendeu sua participação cidadã para além das quatro linhas. Foi presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de S. Paulo, administrador do Estádio do Pacaembu e secretário de esportes de várias cidades, sempre fomentando atividades educativas por meio do esporte.

Mesmo atuando na área pública, Wladimir nunca tomou sequer um “cartão amarelo”. Detentor de reputação ilibada, sempre no fair-play, jamais esteve envolvido com esquemas e outras tramoias que marcam a política brasileira.

Quando se completam 40 anos da epopeia de 1977, repete-se a final paulista contra o alvinegro campineiro. Nada melhor que lermos no Meu Timão as memórias do raçudo e inesgotável Wladimir sobre este episódio maior na história do nosso Todo Poderoso.

Ainda esta semana ele estreia sua coluna. Fique atento. Boa coisa vem por aí!

Veja mais em: Ídolos do Corinthians.

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