Vaidebet, Memphis e impeachment: relembre como foi o primeiro ano da gestão Augusto Melo
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Por Matheus Fiuza
Augusto Melo iniciou o mandato em 2 de janeiro do ano passado
Danilo Fernandes / Meu Timão
No dia 2 de janeiro de 2024, Augusto Melo tomava posse oficialmente da presidência do Corinthians para os próximos três anos. Em seu primeiro ano de mandato, o presidente sentiu na pele os altos e baixos de ocupar o principal cargo do Timão.
Dentro de campo, o clube alvinegro lutou contra dois rebaixamentos, tanto no Paulista quanto Brasileirão, mas teve um final feliz em ambos, sobretudo no torneio nacional. Mesmo com as trocas no comando técnico, Augusto Melo viu o time terminar em paz com a torcida.
Já fora das quatro linhas, o presidente enfrentou dificuldades. Desde o caso Vaidebet até a votação do pedido de impeachment, que segue sem uma nova data marcada, Augusto Melo precisou gerir crises em meio ao momento turbulento que o elenco corinthiano vivia na temporada.
Abaixo, o Meu Timão detalhou os principais tópicos ocorridos no primeiro ano da gestão de Augusto Melo como presidente do Corinthians.
Caso VaideBet
Anunciado como maior patrocínio da história do futebol brasileiro, em fevereiro, o contrato de R$ 360 milhões entre Corinthians e VaideBet por três anos prometia grandes frutos ao clube. No entanto, a relação não demorou a ganhar contornos polêmicos, chegando até a Polícia Civil.
Em maio, as autoridades policiais abriram inquérito para investigar um possível caso de lavagem de dinheiro no contrato de patrocínio firmado entre as partes. As investigações começaram após denúncia do Blog Juca Kfouri de que a Rede Social Media Design LTDA, empresa apontada como intermediadora do negócio entre Corinthians e VaideBet, teria feito o repasse de R$ 900 mil da sua comissão a uma empresa fantasma, a Neoway Soluções Integradas e Serviços.

Fagner, Augusto Melo, Lucas Veríssimo e Yuri Alberto com a camisa do Corinthians com VaideBet
Jozzu/Agência Corinthians
O caso levou a casa de apostas a romper seu vínculo com o Corinthians em julho. Desde a abertura do inquérito, diretores e ex-diretores do Timão já foram ouvidos pela Polícia Civil, além de Alex Cassundé, sócio da Rede Social Media Design LTDA. Entretanto, nomes como Augusto Melo, atual presidente do Corinthians, Marcelo Mariano, diretor administrativo, e Sérgio Moura, ex-superintendente de marketing do clube, ainda devem ser convocados.
A polêmica resultou na saída de diversos dirigentes, caso de Rubens Gomes, o Rubão, então diretor de futebol no início do mandato, Yun Ki Lee, diretor jurídico, e Rozallah Santoro, diretor financeiro. O caso só deve ser solucionado nos próximos meses, como destacado pelo delegado Tiago Correa ao Meu Timão.
Rebaixamentos iminentes à reviravolta na temporada
O ano também parecia promissor dentro de campo, mas o início foi o oposto. Com cinco derrotas seguidas em seis rodadas no Paulistão, o Corinthians precisou fazer sua primeira mudança de treinador, com o pagamento da multa rescisória pela demissão de Mano Menezes e a chegada de António Oliveira. A melhora foi suficiente para evitar o rebaixamento no Estadual, mas insuficiente para classificação ao mata-mata.
A situação foi semelhante no Brasileirão. Sob o comando do técnico português, o Timão venceu apenas um jogo em 13 rodadas, culminando em nova demissão pela presença na zona de rebaixamento. A contratação de Ramón Díaz veio como a última esperança para evitar a queda para a segunda divisão.
Com o técnico argentino, o clube demorou a embalar, mas mostrou fôlego na reta final para deixar o Z4 e buscar uma classificação improvável à Libertadores de 2025. A sequência de nove vitórias seguidas fez com que o Timão alcançasse o recorde de triunfos consecutivos nos pontos corridos.

Elenco do Corinthians reunido para exaltar torcida após vitória sobre o Grêmio no Brasileirão
Rodrigo Coca / Agência Corinthians
Já nas copas, o Corinthians bateu nas duas traves. Na Copa do Brasil, o elenco corinthiano foi eliminado pelo Flamengo, nas semifinais, em meio ao imbróglio extracampo da Data Fifa junto ao adversário e à Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Na Sul-Americana, o clube do Parque São Jorge também parou nas semifinais, desta vez sendo eliminado pelo Racing, da Argentina.
Pedido de impeachment
Augusto Melo correu o risco de não terminar o ano ocupando a presidência do Corinthians. Devido ao caso VaideBet, Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, protocolou, através de solicitação de quase 90 conselheiros, um pedido de impeachment contra Augusto.
A primeira votação estava marcada para 28 de novembro, mas foi adiada para 2 de dezembro. No dia da reunião, em meio aos protestos da torcida no Parque São Jorge, Augusto obteve uma liminar para suspender a votação na sede social.

Manifestação contra o impeachment no portão do Parque São Jorge
Vitor Chicarolli / Meu Timão
No entanto, dez dias depois, o Tribunal de Justiça de São Paulo indeferiu a decisão provisória e reabilitou a possibilidade da votação. Ainda não há uma data marcada para o encontro entre os conselheiros a fim de tratarem sobre o impeachment do presidente.
Chegada de Fabinho Soldado
A chegada de Augusto Melo à presidência trouxe também o primeiro executivo de futebol do Corinthians. Fabinho Soldado deixou o Flamengo em janeiro para repaginar e liderar o departamento de futebol no Parque São Jorge, também sendo figura importante como um elo entre jogadores, comissão técnica e diretoria.
Atuante no mercado de transferências, Fabinho assumiu protagonismo no meio do ano, ao participar diretamente em negociações que deram resultado em campo ao clube, casos de André Ramalho, André Carrillo e, sobretudo, Memphis Depay. O profissional fez mudanças também no departamento de scout e mercado, ao trazer ex-companheiros de Flamengo, casos de Renan Bloise e Thiago Rocha, para o Cifut (Centro de Inteligência de Futebol).

Fabinho Soldado chegou ao Corinthians no início do ano
Wanderson Oliveira/ Meu Timão
Fabinho Soldado, inclusive, recebeu elogios públicos da própria comissão técnica. Ramón e Emiliano Díaz ressaltaram a importância do profissional ao longo dos últimos meses, ao lidar com a temperatura elevada nos corredores do Parque São Jorge e a então possibilidade de rebaixamento no Brasileirão.
Contratação de Memphis Depay
Dentre tantos reforços em 2024, o nome mais midiático e improvável entre as contratações foi Memphis Depay. Com direito à ida de Fabinho Soldado aos Países Baixos, o atacante holandês foi anunciado em setembro pelo Corinthians. A negociação contou com apoio da Esportes da Sorte, sucessora da VaideBet no patrocínio máster, que destinou R$ 57 milhões para um reforço midiático.
O astro não decepcionou. Memphis foi um dos responsáveis pela reviravolta na reta final da temporada, com golaços de falta e até de voleio para encerrar o ano. Ao todo, o holandês contribuiu com sete gols e quatro assistências em 14 jogos, mesmo precisando se adaptar ao futebol brasileiro.

Memphis Depay foi apresentado por Augusto Melo na Neo Química Arena
Jhony Inacio / Meu Timão
Ele também foi destaque fora do campo. O atacante se engajou em festas nas comunidades de São Paulo e visitou a sede da Gaviões da Fiel. Além disso, a comemoração e a testeira usada nos jogos, marcas registradas do jogador, caíram nas graças da torcida.
"CEO" Fred Luz
Assim como o primeiro executivo de futebol, Augusto Melo também buscou a contratação de um CEO para o clube. O nome escolhido foi Fred Luz, sócio da empresa Alvarez & Marsal e atuante na reestruturação do Flamengo a partir de 2013.
O profissional, apresentado em 3 de julho, começou com polêmicas: o estatuto do clube não permite a figura de um CEO. O fato gerou um atraso na oficialização de Fred mesmo com a coletiva de apresentação, criando uma queda de braço entre conselheiros e Augusto Melo.

Fred Luz foi apresentado em julho no Corinthians
Rodrigo Coca / Agência Corinthians
Com a nomenclatura de "consultor" da empresa, Fred passou a auxiliar no dia a dia do clube, apesar do clima de desconfiança com Romeu Tuma Júnior, que criticou publicamente a contratação do gestor. A dívida alvinegra era o principal destaque, que terminou o ano de 2024 em R$ 2,4 bilhões.
Fred Luz esteve próximo de uma saída do Timão, mas permaneceu no cargo para também colaborar com algumas iniciativas de reestruturação jurídico-financeiras. Entre elas, estão o RCE (Regime Centralizado de Execuções) e o plano de credores apresentado à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF.
Saída de Cássio e incógnita no gol
Figura mais importante do clube nos últimos 15 anos, Cássio deixou o Corinthians de maneira polêmica. O goleiro deixou o Parque São Jorge sem custos, em maio, para assinar com o Cruzeiro após rescindir o contrato. O clube assumiu uma dívida de R$ 3 milhões com Cássio referente a encargos financeiros.
O camisa 12 era alvo de críticas da torcida pelas atuações e falhas cometidas ao longo da temporada, culminando em perda da titularidade para Carlos Miguel e término antecipado do contrato em um mês. O sucessor, porém, ficou apenas dois meses na função, já que se aproveitou da baixa multa rescisória para ser negociado com o Nottingham Forest, da Inglaterra.

Cássio deixou o Corinthians em maio após rescisão contratual
Danilo Fernandes / Meu Timão
O clube ganhou um novo dono da posição com Hugo Souza. Contratado por empréstimo junto ao Flamengo, o camisa 1 se destacou e se identificou com a Fiel, sendo comprado em definitivo no fim de novembro, após polêmica com a garantia de pagamento para os cariocas. Hugo assinou por quatro temporadas com o Timão.
Caso Matías Rojas
Contratado ainda sob a gestão de Duilio Monteiro Alves, Matías Rojas trouxe dor de cabeça para Augusto Melo. Após alegar o atraso de três meses em direitos de imagem, em fevereiro, o argentino solicitou a rescisão do contrato junto ao Corinthians. Ele passou a defender as cores do Inter Miami, nos Estados Unidos.
Apesar de ainda estar vinculado ao clube, o jogador obteve vitória na Fifa contra o Timão, ao ser indenizado com R$ 40,4 milhões. O valor é o proporcional ao vínculo assinado entre as partes, válido até 2027. Ainda não há data para definição na Corte Arbitral do Esporte (CAS).

Matías Rojas presente durante jogo do Corinthians contra a Ponte Preta
Danilo Fernandes/Meu Timão
O meia foi a principal contratação do Corinthians na janela de meio de ano de 2023. Na época de sua chegada, o Timão desembolsou 1,8 milhão de dólares, o que equivale a cerca de R$ 8,64 milhões na cotação da época, por 80% dos seus direitos econômicos. Ao todo, sua breve passagem pelo Parque São Jorge lhe rendeu 30 jogos, sendo 15 como titular, três assistências e nenhum gol em partidas oficiais.
Episódios quentes com torcedores
O presidente do Corinthians também precisou lidar com ânimos quentes da torcida. Em junho, torcedores organizados invadiram o CT Joaquim Grava e o Parque São Jorge devido aos péssimos resultados em campo e à turbulência nos bastidores.
A reivindicação era para novas contratações e melhora nos resultados em campo. Houve danificações a salas da sede social e equipamentos de segurança, além de diálogos mais fortes com Marcelo Mariano, diretor administrativo, e Romeu Tuma Júnior.

Torcedores invadiram o Parque São Jorge em junho
Reprodução
Outro episódio com torcida envolveu adversários. Durante a derrota para o Cruzeiro, em Belo Horizonte, pelo Brasileirão Augusto Melo foi acusado por um torcedor de ter sido agredido no rosto. O presidente prestou depoimento semanas depois. No dia, ele foi representado por Kadu Melo, sobrinho e tratado como “filho” por Augusto, mas que não possui cargo oficial no clube.
Contratações na base
As categorias de base ganharam atenção ainda maior na gestão de Augusto Melo. Após o título da Copinha de 2024, o Corinthians registrou 56 contratações somados Sub-17 e Sub-20. A nova diretoria passou a ser liderada por Claudinei Alves, diretor da categoria.
Apesar do alto número de reforços, apenas 18 nomes entraram oficialmente em campo pelo clube. Um dos casos mais emblemáticos foi o do uruguaio Franco Delgado, que custou R$ 625 mil através de um crédito na Fifa, mas que não agradou a atual comissão técnica e sequer foi inscrito na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2025.

Da esquerda para a direita: Claudinei Alves (diretor de base), Valmir Costa (diretor-adjunto da base), Chicão (coordenador de transição) e Batata (coordenador metodológico)
Divulgação
O número elevado gerou insatisfações internas. O Cori (Conselho de Orientação) criticou a gestão de Augusto Melo pela ausência de informações a respeito dos atletas. Em entrevistas, o presidente Augusto Melo e Claudinei Alves, que passou a tomada de decisão para Alex Brasil, gerente das categorias de base, tratavam as chegadas como parcerias sem custos ao Timão.
