Defesa de Andrés se posiciona sobre gastos no Corinthians após convocação de ex-dirigentes
11 mil visualizações 138 comentários Reportar erro
Por Meu Timão

Andrés Sanchez
Danilo Fernandes/ Meu Timão
Após a convocação da Comissão de Justiça de ex-dirigentes pelas investigações de possíveis irregularidades no uso do cartão corporativo do Corinthians, a defesa do ex-presidente Andrés Sanchez se manifestou. Por meio de seu advogado, Fernando José da Costa, o ex-dirigente alegou que o cartão foi utilizado “em benefício institucional” do clube, incluindo “a aquisição de presentes e despesas de representação”.
“O advogado Fernando José da Costa informa que Andrés Sanchez já prestou todos os esclarecimentos ao Ministério Público acerca da utilização do cartão corporativo, que à época não possuía regramento específico ou delimitação objetiva de gastos. Conforme esclarecido, o cartão sempre foi utilizado em benefício institucional do clube, inclusive para a aquisição de presentes e despesas de representação, sendo certo que todas as contas foram devidamente aprovadas pelos órgãos competentes”, contou em um comunicado enviado à Gazeta Esportiva.
Conforme publicado pelo Meu Timão, o órgão do Conselho Deliberativo convocou ex-dirigentes ligados ao segundo mandato de Andrés (2018 a 2020) para prestar esclarecimentos. O departamento financeiro do Corinthians entregou à Comissão todas as faturas referentes ao período, que somam cerca de R$ 190 mil em despesas consideradas suspeitas. Foram chamados para depor Matias Ávila (ex-diretor de finanças), Osmar Basílio (ex-presidente do Conselho Fiscal) e Guilherme Gonçalves Strenger (ex-presidente do Cori).
Andrés Sanchez ainda não foi convocado pela comissão, mas deve ser ouvido após a conclusão dos demais depoimentos. Encerrada essa fase, o caso será encaminhado à Comissão de Ética e Disciplina, presidida por Leonardo Pantaleão, que ficará responsável por elaborar um parecer a ser votado pelo Conselho Deliberativo, para que Romeu Tuma Júnior leve o assunto à votação em plenário.
A apuração interna identificou uma série de despesas sem relação aparente com as atribuições da presidência. Foram listados inicialmente 50 gastos, discriminados por local e valor, que somam R$ 190.523,54. Entre eles, estão cobranças em hospitais, clínicas e farmácias, compras em lojas de móveis e eletrônicos, além de pagamentos a uma empresa de táxi aéreo e a centros automotivos.
Na última quinta-feira, o ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, prestou depoimento no processo que apura possíveis irregularidades no uso dos cartões corporativos do clube. O conselheiro participou da oitiva na condição de investigado em procedimento conduzido pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
Entenda o caso
Desde junho deste ano, as faturas do cartão corporativo do Corinthians vêm sendo divulgadas gradualmente pelo perfil “@Prmalaoficial”, na rede social X (antigo Twitter), uma conta de tom satírico inspirada no pastor Silas Malafaia. Os documentos revelam gastos em estabelecimentos que aparentam não ter relação com o clube, como salões de cabeleireiro e joalherias.
A defesa do ex-presidente Andrés Sanchez chegou a pedir o arquivamento do caso, alegando que as despesas não configuram crime e que não havia regras claras sobre o uso do cartão. O Ministério Público, porém, negou o pedido.
As apurações passaram a envolver não apenas Andrés — que presidiu o Corinthians entre 2007 e 2011 e novamente de 2018 a 2020 —, mas também os ex-mandatários Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo. As investigações apontam indícios de ligação com empresas de fachada e até possível atuação de organizações criminosas dentro do clube. Após cobranças do MP, o Corinthians enviou os documentos referentes ao período solicitado.
Andrés Sanchez admitiu ter utilizado o cartão corporativo do Corinthians para fins pessoais e segue sendo alvo da apuração. Já Duilio é investigado após a denúncia de uma suposta planilha de gastos que somaria cerca de R$ 80 mil em apenas 40 dias de gestão, incluindo movimentações com uma empresa que o MP acredita ser de fachada.
Desde agosto, o MP-SP vem analisando as contas recentes do Corinthians e já ouviu alguns funcionários, além de Osmar Stabile, presidente do clube, e Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, que prestaram depoimento na condição de testemunhas. O próprio Andrés também foi ouvido, mas na condição de investigado.
No início de setembro, o Ministério Público solicitou o afastamento temporário dos três ex-presidentes do colegiado do clube até a conclusão das investigações. Atualmente, Augusto Melo não integra nenhum grupo deliberativo, enquanto Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves são conselheiros vitalícios e membros natos do Conselho de Orientação (Cori).
A oitiva de Sanchez, realizada na última semana, conforme apurado pelo Meu Timão, foi breve e teve como objetivo esclarecer faturas do clube que indicavam gastos pessoais de Andrés. O ex-presidente chegou a pedir dispensa do depoimento, mas reconsiderou e participou de forma virtual, acompanhado pelo promotor Cássio Roberto Conserino, responsável pela investigação.
Durante o depoimento, Andrés voltou a admitir o uso do cartão corporativo do Corinthians para despesas pessoais durante viagens a Tibau do Sul, no Rio Grande do Norte, e Fernando de Noronha, em Pernambuco, ambos no ano de 2020. O ex-dirigente afirmou que o uso foi um engano e reiterou já ter reembolsado R$ 15 mil ao clube após as denúncias. Segundo a reportagem, ele ainda aguarda um posicionamento do departamento financeiro alvinegro para quitar o valor referente à correção monetária.
O MP ampliou as investigações sobre o caso no último mês. Entre os dias 26 e 29 de setembro, a Promotoria solicitou à diretoria do Corinthians informações sobre mais de 50 despesas consideradas suspeitas, realizadas entre 2018 e 2020, período em que Sanchez presidia o Timão.
O promotor deu prazo de dez dias para que o clube responda aos questionamentos. O objetivo é determinar se os gastos estão relacionados a compromissos institucionais ou se configuram despesas pessoais. O Corinthians recebeu o pedido com surpresa e deve alegar dificuldade em fornecer detalhes, por não possuir mecanismos de controle que permitam rastrear com precisão as atividades de gestões anteriores.