Presidente do Corinthians pede afastamento de Romeu Tuma Jr. por supostas ameaças; saiba detalhes
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Por Felipe Sales, Luis Fabiani e Matheus Pogiolli

Romeu Tuma Júnior (esq.) e Osmar Stabile (dir.) prestaram depoimento na última quinta-feira
Evander Portilho / Agência Corinthians
Na última quarta-feira, Osmar Stabile, presidente do Corinthians, protocolou junto à Comissão de Ética e Disciplina (CE) do clube um requerimento solicitando o afastamento cautelar de Romeu Tuma Júnior da presidência do Conselho Deliberativo (CD). A informação foi divulgada inicialmente pela Gazeta Esportiva e confirmada pelo Meu Timão.
Como adiantado pelo portal, Osmar Stabile acusa Romeu Tuma Júnior de ameaçá-lo e coagi-lo durante o mandato, além de relatar um episódio de intimidação ocorrido na última sexta-feira. O caso ganhou ainda mais repercussão quando o mandatário revelou a situação durante a reunião do Conselho Deliberativo na última segunda-feira, cujo objetivo era votar o anteprojeto da reforma do Estatuto do clube.
De acordo com a reportagem, no documento enviado por Stabile para Leonardo Pantaleão, vice-presidente do CD e, consequentemente, presidente da Comissão de Ética, o dirigente se baseia nos artigos 27, 28 e 30 do Estatuto do Corinthians, que tratam das possíveis penas aplicadas aos associados. Os dispositivos preveem diferentes punições para quem descumprir normas do clube, definindo casos de advertência, suspensão e desligamento, além de estabelecer quem tem competência para aplicar essas penalidades.
No Estatuto do Corinthians, a suspensão pode ser aplicada quando o associado reincide em infrações já punidas com advertência, presta informações falsas, cede a carteira social ou pratica atos condenáveis, agressões ou danos ao patrimônio. Já o desligamento é previsto para casos mais graves, como reincidência após suspensão, inadimplência de mensalidades, condenação por crimes graves, ofensas à moral esportiva ou danos à imagem do clube.
As possíveis penalidades são analisadas pela Comissão de Ética e Disciplina, que conduz o processo e encaminha parecer ao Conselho Deliberativo, responsável pela decisão final.
Porém, de acordo com a Gazeta Esportiva, Romeu Tuma Júnior tem se apoiado no artigo 89 do Estatuto para contestar o pedido de afastamento apresentado por Osmar Stabile. O dispositivo estabelece que cabe à Comissão de Ética instruir e relatar processos envolvendo membros do Conselho Deliberativo e da diretoria, mas não prevê a chamada suspensão liminar.
Em caso de afastamento de Romeu Tuma Júnior do cargo de presidente do Conselho Deliberativo, haveria uma reformulação nos principais postos dos órgãos fiscalizadores do Corinthians. Leonardo Pantaleão, atual vice-presidente do CD, assumiria a presidência do órgão. Já a conselheira Maria Angela Ocampos, hoje secretária da Comissão de Ética e Disciplina (CE), passaria a presidir a comissão.
Curiosamente, ao lado de aliados do presidente destituído Augusto Melo, Maria Angela tentou afastar Romeu Tuma Júnior do cargo em 31 de maio de 2025. Naquele momento, o vice-presidente da Comissão de Ética era Roberson Medeiros, o Dunga, que estava afastado por motivos de saúde. Diante disso, Maria Angela Ocampos se apresentou como presidente do Conselho Deliberativo, anunciou o afastamento de Romeu Tuma Júnior e tentou derrubar decisões do dirigente no órgão, incluindo o processo de impeachment de Augusto Melo, o que recolocaria o dirigente no cargo de presidente no lugar de Osmar Stabile.
Confusão na votação do anteprojeto da reforma do Estatuto

Confusão na votação do anteprojeto da reforma do Estatuto Antes da votação do anteprojeto
Fábio Marinho / Meu Timão
Antes da votação do anteprojeto de reforma do Estatuto do Corinthians, Osmar Stabile pediu a palavra no Conselho Deliberativo e afirmou estar sendo ameaçado e coagido por Romeu Tuma Júnior. Segundo o presidente da diretoria, Tuma teria tentado interferir na gestão do clube.
“Na sexta-feira, enquanto eu jantava, ele (Tuma) disse assim: ‘ou você faz o que eu quero ou eu vou te f**er’. Não posso administrar o Corinthians com pessoas me tratando dessa forma. Tenho testemunhas aqui sobre isso, além de outras interferências”, declarou Stabile, afirmando ainda possuir documentos que comprovariam pedidos de atualização sobre suas ações na gestão.
A pedido do dirigente, o diretor de negócios jurídicos, Pedro Luis Soares, também foi ao púlpito e confirmou o relato, dizendo que o episódio ocorreu durante um jantar informal no Parque São Jorge.
Na sequência, Tuma rebateu e acusou a atual gestão de recontratar Aldair Borges, segurança citado em depoimentos na Polícia Civil por permitir a invasão de torcedores no clube em janeiro de 2025. O conselheiro afirmou que levaria o caso à imprensa caso nenhuma providência fosse tomada.
As falas provocaram reação entre os conselheiros e geraram um princípio de tumulto, que interrompeu a reunião por cerca de dez minutos. Depois disso, a presidência do Conselho decidiu aplicar o artigo 45 do Estatuto e encaminhar a votação do anteprojeto diretamente para a Assembleia Geral (AG) dos sócios, alegando que o CD não desejaria deliberar sobre o tema. A AG, inclusive, foi agendada para o dia 18 de abril e rendeu duras críticas do Conselho de Orientação (Cori).
O que acontece com um eventual afastamento de Romeu Tuma Júnior do cargo de presidente do Conselho Deliberativo?

Em maio de 2025, Maria Angela Ocampos, aliada de Augusto Melo, se anunciou presidente do Conselho e tentou anular impeachment no Corinthians
Divulgação
Em caso de afastamento de Romeu Tuma Júnior do cargo de presidente do Conselho Deliberativo (CD), haveria uma reformulação nos principais postos dos órgãos fiscalizadores do Corinthians. Leonardo Pantaleão, atual vice-presidente do CD, assumiria a presidência do órgão. Já a conselheira Maria Angela Ocampos, hoje secretária da Comissão de Ética e Disciplina (CE), passaria a presidir a comissão.
Ao lado de aliados do presidente destituído Augusto Melo, Maria Angela tentou afastar Romeu Tuma Júnior do cargo em 31 de maio de 2025. Naquele momento, o presidente da Comissão de Ética era Roberson de Medeiros, o Dunga, que estava afastado por motivos de saúde. Diante disso, Maria Angela Ocampos se apresentou como presidente do Conselho Deliberativo, anunciou o afastamento de Romeu Tuma Júnior e tentou derrubar decisões do dirigente no órgão, incluindo o processo de impeachment de Augusto Melo, o que recolocaria o ex-mandatário no cargo de presidente no lugar de Osmar Stabile.
Entretanto, o documento não foi oficializado. Internamente, o episódio passou a ser tratado como uma “tentativa de golpe” e vem sendo apurado pela própria Comissão de Ética. Em caso de mudança na presidência do CD, a CE pode vir a ser comandada justamente por Maria Angela Ocampos.