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Novo capítulo
Presidente do Conselho do Corinthians protocola pedido de investigação ao MP contra Osmar Stabile
Por Matheus Fiuza e Daniel Keppler
Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians, protocolou pedido ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para se instaurar uma investigação contra Osmar Stabile, presidente do clube. O mandatário do Timão convocou a reunião que culminou na destituição provisória de Tuma, na última segunda-feira .
Em comunicado enviado aos conselheiros, ao qual o Meu Timão teve acesso, o presidente do CD iniciou uma representação por meio de uma notícia de fato, que serve para avaliar a viabilidade de apuração formal por parte do MP-SP. Tuma acusa Stabile de liderar uma votação baseada em "irregularidades e ilegalidades" — confira abaixo.
Segundo o mandatário do Conselho, o procedimento disciplinar aberto por Osmar Stabile está em fase inicial na Comissão de Ética e Disciplina (CE) do clube. Dessa forma, Tuma não teria tido acesso à defesa como acusado, como prevê o Estatuto do Corinthians.
O dirigente ainda lamentou uma suposta "traição" de aliados em meio ao processo da votação do anteprojeto da reforma do Estatuto. Romeu Tuma Júnior ainda destacou aos membros do Conselho que não pretende ser "candidato a nada", em referência à eleição presidencial no fim de 2026.
"Além de todo o desgaste institucional, fui traído por quem considerei por muitos anos um amigo. Mas mais traído ainda como torcedor, porque tentam macular o processo da nossa tão aguardada reforma do Estatuto, que traz a possibilidade do voto do Fiel Torcedor e da necessária modernização do nosso Estatuto. E tudo foi substituído por uma manobra movida pelo poder e pelo interesse pessoal daqueles poucos que sempre orbitaram as últimas gestões para se aproveitar “anonimamente” dos benefícios que o Corinthians pode lhes render", explicou.
A escaramuça já havia ganhado contornos judiciais. Na última segunda-feira, o presidente do Conselho protocolou uma interpelação judicial no Foro Regional VIII, no Tatuapé, da Justiça de São Paulo, solicitando explicações de Osmar Stabile, presidente do clube, sobre acusações imputadas a ele .
Sessão agendada por Osmar Stabile no Conselho Deliberativo para votar o afastamento de Romeu Tuma Júnior da presidência

Confusão na votação do anteprojeto da reforma do Estatuto
Fábio Marinho / Meu Timão
Em 9 de março, Osmar Stabile acusou Tuma de tê-lo ameaçado e coagido durante o seu mandato . A denúncia ocorreu durante a reunião do Conselho Deliberativo que votaria o anteprojeto da reforma do Estatuto. Após o ocorrido, porém, a sessão acabou sendo cancelada. Dias depois, Stabile também protocolou junto à Comissão de Ética do clube um pedido de afastamento provisório de Tuma da presidência do Conselho , mas o processo ainda não entrou em tramitação devido ao curto espaço de tempo desde a apresentação da solicitação.
A movimentação também encontra resistência em parte das alamedas do Parque São Jorge, como associados e conselheiros. Lideranças do CD, como o próprio Romeu Tuma Júnior e o vice-presidente do órgão, Leonardo Pantaleão, já se manifestaram apontando irregularidades na convocação, com base no artigo 82, inciso II, do Estatuto. Além disso, a Comissão de Justiça (CJ) contrariou a sessão, apontando riscos de intervenção judicial .
Pantaleão, inclusive, afirmou que não pretende comparecer à votação. Segundo o próprio, ele tem sido pressionado e ameaçado para que conduzisse a sessão, já que Stabile solicitou o impedimento de Tuma para liderar a reunião justamente por se tratar de uma votação sobre o possível afastamento do próprio presidente do CD.
Na última sexta-feira, o Romeu Tuma Júnior também se manifestou oficialmente e classificou como irregular a convocação feita por Osmar Stabile para deliberar sobre o impeachment da presidência do Conselho Deliberativo . A reunião foi marcada para acontecer no Teatro do Parque São Jorge.
De acordo com o despacho ao qual o Meu Timão teve acesso, Tuma argumenta que a iniciativa contraria o funcionamento estatutário do Conselho. Segundo ele, a próxima reunião oficial do colegiado está prevista apenas para o dia 27 de abril, quando será realizada a votação das contas referentes ao exercício de 2025 da gestão de Osmar Stabile, que assumiu a presidência após o impeachment de Augusto Melo, em maio.
O caso também foi parar no Ministério Público de São Paulo (MP-SP), onde um grupo de associados denunciou as supostas irregularidades ao promotor Cássio Conserino . No despacho, Conserino afirmou não ter atribuição direta sobre a esfera administrativa do clube, mas destacou que o caso pode se relacionar com investigações já em andamento sobre gestões recentes do Corinthians, envolvendo suspeitas de uso irregular de cartões corporativos, adiantamentos em espécie e inconsistências em notas fiscais.
Diante disso, determinou o encaminhamento da denúncia à Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, responsável pelo inquérito civil que avalia a possibilidade de intervenção judicial no clube, além de mencionar a necessidade de práticas mais rigorosas de governança e compliance.
Confira a mensagem completa
Prezados(as) Conselheiros(as), boa tarde!
Informo a todos(as) vocês, membros do Conselho Deliberativo, que protocolei representação junto ao Ministério Público, por meio de Notícia de Fato, sobre a tentativa do Presidente Osmar Stabile de me afastar do cargo de Presidente do Conselho Deliberativo, valendo-se para tanto de toda a sorte de irregularidades e ilegalidades – algumas delas que chegaram a meu conhecimento nos últimos dias - as quais reputo de extrema gravidade.
O objetivo é que todos os fatos sejam de conhecimento de autoridade competente para que as devidas apurações sejam realizadas com isenção e sem mais coações e constrangimentos.
É importante destacar que o procedimento disciplinar requerido à Comissão de Ética do CD pelo Presidente da Diretoria, segundo informações que busquei junto à autoridade interna competente (Presidente da Comissão de Ética deste Colegiado), se encontra em fase inicial, ou seja, em fase de instrução face falta de imagens e documentos requeridos.
Portanto, até o momento, sequer pude ser notificado para apresentação de defesa prévia, pois as imagens que eu mesmo solicitei antes de tudo acontecer sequer foram enviadas pela Diretoria. Essa ausência de material impede qualquer tipo de defesa ou manifestação. Ressalto ainda que, não obstante essa situação, houve mais de uma tentativa de me afastar de forma liminar e “preventiva”, como se eu tivesse qualquer poder de influenciar alguém nesse Conselho Deliberativo, onde todos(as) são donos de seus respectivos mandatos e não há cadeia de comando hierárquico.
Confesso, além do problema de saúde que estou enfrentando, que fiquei e sigo ainda bastante abalado e muito triste com tudo, especialmente por ter sempre defendido esse Colegiado de forma institucional e jamais ter permitido qualquer tentativa de julgamento que contrariasse o Estatuto e a própria Constituição da República, ainda que isso me rendesse diversas ofensas e rótulos que não me cabem. Mas a defesa dos direitos fundamentais de quem quer que seja é inegociável para mim.
Além de todo o desgaste institucional, fui traído por quem considerei por muitos anos um amigo. Mas mais traído ainda como torcedor, porque tentam macular o processo da nossa tão aguardada reforma do Estatuto, que traz a possibilidade do voto do Fiel Torcedor e da necessária modernização do nosso Estatuto. E tudo foi substituído por uma manobra movida pelo poder e pelo interesse pessoal daqueles poucos que sempre orbitaram as últimas gestões para se aproveitar “anonimamente” dos benefícios que o Corinthians pode lhes render.
A traição maior, repito, foi com o torcedor, com o sócio, com o sonho, e dói muito em mim, pois, como a imensa maioria aqui, sou Corinthiano por consanguinidade e de nascimento nos arredores de nossa instituição.
Por fim, repito aqui, para que fique registrado e muito claro: não tenho qualquer apego a cargo e não serei candidato a nada.
O que me move é o voto do sócio do clube na Assembleia Geral marcada para 18/4/26, para definir os rumos do novo Estatuto e delinear um futuro bem mais promissor para o Corinthians.
Fraternal abraço a todos(as).





