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Andrés Sanchez desiste de depor à Comissão de Ética do Corinthians em caso do cartão corporativo

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Por Felipe Sales e Daniel Keppler

Andrés Sanchez decidiu não participar da oitiva na Comissão de Ética e Disciplina (CE) do Corinthians, agora o órgão terá a emissão de cinco dias úteis para emitir um parecer sobre o caso

Danilo Fernandes/ Meu Timão

O ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, decidiu não comparecer à oitiva que estava agendada para esta quinta-feira junto à Comissão de Ética e Disciplina (CE) do Conselho Deliberativo (CD) do clube. A reunião faz parte da apuração interna que investiga supostos gastos irregulares no cartão corporativo durante seu último mandato, entre 2018 e 2020.

A informação foi divulgada inicialmente pela Gazeta Esportiva e confirmada pelo Meu Timão. Sem o depoimento de Andrés, a Comissão de Ética concedeu um prazo de cinco dias úteis, a partir da próxima segunda-feira, para que a defesa do ex-presidente entregue suas considerações finais. Considerando o feriado da Sexta-feira Santa, esse prazo se encerra no dia 6 de abril. Então, o colegiado se reunirá para fazer sua análise final e emitir um parecer.

Após isso, o processo chegará às mãos de Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, acompanhado do parecer da Comissão de Ética e Disciplina, liderada por Leonardo Pantaleão, com recomendação ou não de punição. Tuma, então, poderá levar o tema para votação no plenário do CD, que pode decidir pela absolvição, advertência por escrito, suspensão ou expulsão de Andrés Sanchez do quadro associativo.

Vale lembrar que, apesar do afastamento provisório de Romeu Tuma Júnior da presidência do Conselho Deliberativo na última segunda-feira, o próprio dirigente não reconheceu a legalidade do procedimento e afirma permanecer no cargo, assim como ainda aparece registrado no site oficial do clube.

Justificativa para o não comparecimento

A defesa do ex-mandatário já havia pedido o adiamento do depoimento no último dia 16 de março, quando alegou que a audiência, ainda que virtualmente, poderia ferir as medidas restritivas impostas a Andrés após denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), aceita pela Justiça paulista no caso. Entre as restrições, está a proibição de contato com dirigentes do clube do Parque São Jorge, além do afastamento do dirigente, que também está fora do Conselho de Orientação (Cori). O mesmo argumento foi utilizado em documento enviado nesta quinta-feira a Leonardo Pantaleão.

Como informado pelo Meu Timão, a oitiva na Ética havia sido agendada a pedido dos próprios advogados de Andrés Sanchez, já que a participação do depoente é facultativa no órgão fiscalizador do clube. Dessa forma, o depoimento prestado anteriormente à Comissão de Justiça (CJ) do Conselho Deliberativo (CD), que ouviu a versão do ex-presidente, seguirá como o principal registro no processo sem a nova oitiva.

Nas últimas semanas, a Comissão de Ética analisou as faturas integrais do cartão corporativo e listou cerca de 50 gastos considerados atípicos durante o segundo mandato de Andrés. O órgão identificou despesas que somam mais de R$ 180 mil e determinou que a defesa do ex-dirigente apresentasse explicações e eventuais comprovantes de reembolso.

Antes disso, a Comissão de Justiça também colheu depoimentos de ex-funcionários do setor e realizou análises sobre as despesas. Os membros da CJ entendem que não há comprovação de que os gastos tenham sido realizados em benefício do clube ou por necessidade do cargo exercido pelo então presidente.

Relembre a cronologia das investigações internas do Corinthians contra Andrés Sanchez

Relembre o caso

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu, em agosto de 2025, uma investigação sobre os gastos de Andrés Sanchez (2018 a 2020) e Duilio Monteiro Alves (2021 a 2023) em seus respectivos mandatos como presidentes do Corinthians. O caso se iniciou após denúncias do uso do cartão corporativo por parte de Andrés, que admitiu as despesas pessoais, e vir a público uma planilha de R$ 80 mil em 40 dias durante a gestão de Duilio. Pouco depois, Augusto Melo também entrou na mira do MP-SP.

Assim, o Ministério Público, que obteve quebra de sigilo, segue investigando o caso e até já ouviu os principais nomes ligados ao Corinthians. Osmar Stabile e Romeu Tuma Júnior já participaram das oitivas (ambos na condição de testemunha), assim como o ex-gerente financeiro Roberto Gavioli e o próprio Andrés Sanchez, além de Duilio. O MP também solicitou uma série de documentos ao clube e aos Conselhos Deliberativo e de Orientação.

O MP-SP solicitou o afastamento temporário dos três últimos presidentes de todos os colegiados do clube até o fim da investigação. Augusto Melo, vale lembrar, não tem mais poderes políticos devido ao impeachment, enquanto os outros dois nomes integram o Conselho de Orientação do Corinthians.

A 2ª Vara de Crime Organizado, Lavagem de Dinheiro e Crime Tributário é a responsável por analisar a denúncia de Andrés e Gavioli, além de novos denunciados. Roberto, inclusive, foi afastado do cargo financeiro do Corinthians. Neste momento, a dupla é investigada apenas por apropriação indébita, após rejeição dos outros crimes na esfera judicial.

Posteriormente, Andrés foi denunciado pelo Ministério Público e informado de que não deveria entrar em contato com membros da atual diretoria. Entretanto, segundo depoimentos, o ex-presidente se encontrou com o atual secretário-geral do clube. Além disso, outras denúncias aconteceram, o que fez Andrés ter que ressarcir o Timão.

Dias depois, o MP-SP apontou o descumprimento de medida cautelar pelo ex-presidente. A manifestação, assinada pelo promotor Cássio Roberto Conserino, solicitou o endurecimento imediato das restrições impostas a Andrés Sanchez, incluindo monitoramento eletrônico por meio de tornozeleira e a entrega do passaporte espanhol.

Já em meados de fevereiro, a investigação apontou que Denilson Grillo, ex-motorista de Duilio, recebeu mais de R$ 1,2 milhão em espécie ao longo de três anos. Há suspeita do MP-SP de que empresas de fachada foram utilizadas para justificar os gastos e, assim, desviar recursos do clube.

No início de março, a investigação ganhou um novo capítulo. O Ministério Público iniciou a apuração de uma movimentação suspeita de mais de R$ 3,4 milhões em dinheiro vivo nas contas do Corinthians durante as gestões de Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves. Os valores teriam sido entregues a um ex-funcionário do clube. A informação foi divulgada pelo ge.globo.

Segundo a reportagem, o ex-chefe de segurança do Corinthians, João Odair de Souza, conhecido como Caveira, recebeu mais de R$ 3,4 milhões em espécie entre março de 2018 e dezembro de 2023, sem a emissão de notas fiscais.

Paralelamente, Andrés, Duilio e Augusto são alvos de investigações internas do clube, que podem acarretar punições severas, como suspensão e até expulsão do Corinthians.

Veja mais em: Conselho do Corinthians, Andrés Sanchez, Presidentes do Corinthians, Diretoria do Corinthians e Parque São Jorge.

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