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Ministério Público solicita afastamento temporário de ex-presidentes do Corinthians

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Ministério Público solicita afastamento temporário de ex-presidentes do Corinthians

Ministério Público solicita afastamento temporário de ex-presidentes do Corinthians

Danilo Fernandes e Jhonny Inácio / Meu Timão

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) solicitou o afastamento temporário de Andrés Sanchez, Augusto Melo e Duilio Monteiro Alves, últimos ex-presidentes do Corinthians das atividades no Conselho Deliberativo, no Conselho de Orientação (Cori) e em quaisquer outros conselhos ligados ao clube. A informação foi divulgada inicialmente pela Rádio Bandeirantes e confirmada pelo Meu Timão.

O requerimento feito pelo promotor Cássio Conserino, agora, precisa ser determinado pelo Poder Judiciário, que ordenaria o afastamento dos ex-presidentes alvinegros enquanto as investigações sobre os usos do cartão corporativo do clube estiverem em andamento.

O pedido se amparou na Lei Geral do Esporte (14.597/23) e na antiga Lei Pelé (9.615/98), que preveem até dez anos de inelegibilidade para dirigentes envolvidos em gestão fraudulenta ou temerária.

Conforme o documento ao qual o Meu Timão teve acesso, o MP sustentou que a permanência de Sanchez e Duilio nos conselhos representava risco às investigações, já que ambos ainda tinham poder de voto em decisões internas e influência política em meio às eleições indiretas para a presidência do clube, realizadas em 25 de agosto de 2025. O temor era de que os investigados pudessem interferir no processo ou até intimidar testemunhas.

É importante destacar que Augusto Melo já não integra nenhum conselho do Corinthians, perdendo seus direitos políticos após sofrer impeachment no mês passado. Ainda assim, o Ministério Público optou por incluí-lo no pedido de afastamento de forma preventiva.

Caso a solicitação seja aceita, Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves ficam proibidos de participar de qualquer colegiado ligado ao Corinthians enquanto durarem as investigações. Caso sejam denunciados formalmente, a medida poderá ser prorrogada até o fim da ação penal.

Um dos casos citados envolve notas fiscais emitidas por uma empresa registrada como minimercado, mas que, na prática, funcionava como fachada. Em outubro de 2023, durante a gestão de Duílio Monteiro Alves, foram contabilizados R$ 32 mil em gastos com serviços de buffet supostamente prestados por essa firma.

No entanto, segundo o MP, a empresa não possuía estrutura para fornecer tais serviços, e seus responsáveis, ouvidos em depoimento, teriam mentido sobre a existência de funcionários, clientes e operações. Apesar disso, confirmaram a emissão das notas fiscais usadas pelo clube para justificar reembolsos.

Durante as investigações, o Ministério Público também levantou preocupações sobre possíveis tentativas de obstrução. O presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, Romeu Tuma Júnior, relatou em depoimento ter sido ameaçado em razão de sua atuação no clube, afirmando inclusive que o crime organizado teria se infiltrado na vida política da entidade.

Outro ponto destacado foi a desorganização administrativa encontrada na gestão financeira do Corinthians. Segundo o MP, houve sumiço de documentos essenciais, como faturas de cartões corporativos e relatórios de despesas, o que levou inclusive ao registro de boletins de ocorrência.

"Já requisitamos a documentação para uma análise dos fatos, mas esbarramos na desorganização administrativa, na inércia do clube e nos furtos e supressões de alguns documentos financeiros (faturas de cartões corporativos e relatórios de despesas)", diz parte do pedido.

Para os investigadores, a ausência de controles efetivos e a supressão de provas financeiras reforçam o cenário de gestão temerária e aumentam a gravidade das suspeitas de irregularidades. Esse quadro, de acordo com a Promotoria, justifica ainda mais o afastamento dos ex-dirigentes, uma vez que sua presença poderia facilitar a ocultação ou a destruição de novas evidências.

"Assim, há fortes elementos que nos indicam que os investigados poderão utilizar o prestígio político para obstar a apuração dos fatos, além do risco concreto de que se valham do poder do voto para influenciar seu grupo político e o resultado das eleições e, indiretamente, garantir a continuidade de eventuais práticas ilícitas. Não é demasiado dizer que dentro do SCCP poderão intimidar ou amedrontar ou até mesmo ameaçar, conforme segue abaixo, pessoas que detém o poder de responder as requisições do Ministério Público", explicou o promotor.

Os ex-presidentes Andrés Sanchez e Augusto Melo se posicionaram sobre o pedido feito pelo MPSP ao portal ge.globo. O Meu Timão também solicitou um posicionamento de Romeu Tuma Júnior, citado na investigação.

Entenda o caso

O Ministério Público abriu em agosto uma investigação sobre os gastos de Andrés Sanchez (no segundo mandato, de 2018 a 2020) e Duilio Monteiro Alves (de 2021 a 2023) em seus respectivos mandatos no Corinthians. O caso se abriu após denúncias do uso do cartão corporativo por parte de Andrés e vir a público uma planilha de R$ 80 mil em 40 dias durante a gestão de Duilio. Pouco depois, Augusto Melo (presidente de janeiro de 2024 a maio de 2025) também entrou na mira do MP-SP.

Assim, o MP-SP vem investigando o caso e até já ouviu alguns funcionários do Corinthians. Osmar Stabile e Romeu Tuma Júnior, respectivamente presidente interino e do Conselho Deliberativo já foram ouvidos (ambos na condição de testemunha), assim como o gerente financeiro Roberto Gavioli. O Ministério Público também solicitou uma série de documentos ao clube e aos Conselhos Deliberativo e de Orientação.

Veja a nota de Andrés Sanchez

Andrés Sanchez, por meio de sua defesa conduzida pelo advogado Fernando José da Costa, reafirma que sua atuação à frente do Sport Club Corinthians Paulista sempre se pautou pela legalidade, responsabilidade e compromisso institucional.

A defesa ressalta que o pedido formulado pelo Ministério Público, referente à medida cautelar de afastamento temporário dos Conselhos Deliberativos, de Orientação ou de qualquer outro do clube não representa juízo de culpa, tratando-se apenas de providência de natureza processual. Por essa razão, Andrés Sanchez manifesta sua plena confiança na Justiça e na condução imparcial das investigações.

O ex-presidente permanece à inteira disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários e apresentar toda a documentação apta a comprovar a regularidade de sua gestão e de sua atuação no âmbito do clube.

Veja a nota de Augusto Melo

A defesa do ex-presidente Augusto Melo esclarece que, muito embora o pedido formulado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo vise o afastamento de alguns conselheiros e, de forma reflexa, pretenda também alcançar o nome do ex-presidente, é importante destacar que, da parte de Augusto Melo, não há qualquer objeção, resistência ou receio em relação a tal medida.

Durante toda a sua gestão à frente do Sport Club Corinthians Paulista, Augusto Melo pautou sua conduta pela transparência e pela responsabilidade, a ponto de jamais ter feito uso de seu cartão corporativo. Assim, entende que eventual apuração, longe de representar qualquer ameaça, apenas reforçará sua idoneidade e demonstrará, de maneira inequívoca, que sempre agiu com zelo e probidade na administração do clube.

Por essa razão, recebe com absoluta serenidade a iniciativa do Ministério Público, reafirmando que não teme qualquer investigação e que está convicto de que a verdade dos fatos evidenciará sua postura correta e responsável diante do Corinthians e de sua torcida.

Veja mais em: Presidentes do Corinthians, Dívida do Corinthians, Augusto Melo, Andrés Sanchez e Duílio Monteiro Alves.

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