'Caso Alyson' é ponta do iceberg: veja lista de polêmicas do futebol de base do Corinthians

'Caso Alyson' é ponta do iceberg: veja lista de polêmicas do futebol de base do Corinthians

Por Meu Timão

Faixas de protesto apareceram na Arena Corinthians durante semifinal da Copinha

Faixas de protesto apareceram na Arena Corinthians durante semifinal da Copinha

Foto: Futebol de Campo

O "caso Alyson", que estourou na imprensa no último fim de semana, é só mais um dos já corriqueiros episódios de suspeita de corrupção e má gestão nas categorias de base do Corinthians nos últimos anos. Não foram poucos os relatos e comentários de torcedores pedindo mais rigidez nas investigações e punições por parte do Conselho e do clube no "balcão de negócios" que tem se transformado o departamento de formação de atletas do Timão.

No início deste ano, antes mesmo de virem à tona dois casos (veja mais abaixo) polêmicos envolvendo a base do Corinthians, a Gaviões da Fiel, principal organizada do clube, já havia levantado bandeira questionando negócios obscuros que haviam sido feitos por trás do futebol amador do clube. Em janeiro, uma faixa com os dizeres "Base = Balcão de Negócios para Empresários e Dirigentes" foi estendida pela torcida no setor Norte da Arena durante jogo válido pela semifinal da Copa São Paulo de Futebol Júnior.

Assim, o Meu Timão reuniu alguns dos casos que levantaram dúvidas, polêmicas e críticas envolvendo as categorias de base na atual década. Confira no dossiê abaixo:

Alyson

A mais recente bomba estourada nas categorias de base do Corinthians diz respeito ao jovem Alyson, de 16 anos. Quando ainda tinha 15, o atleta teve 20% de seus direitos econômicos vendidos de forma irregular por 60 mil dólares ao empresário estadunidense Helmut Niki Apaza, que ameaça entrar na Justiça contra o clube alegando ter sido enganado. Participaram da negociação e consequentemente lucraram Fábio Barrozo, ex-gerente da base, Manoel Ramos Evangelista, o Mané da Carne (na foto acima com Andrés), conselheiro vitalício, e Julio Cesar Polizeli, agente do jogador. Barrozo não faz mais parte da diretoria alvinegra; Mané da Carne alega inocência; Polizeli alega ter direito de representar o jovem conforme previsto em contrato assinado entre ambas as partes. O presidente Roberto de Andrade promete punir funcionários do clube que tenham alguma ligação com o episódio.

Matheus Pereira

Um dos casos mais bizarros do ponto de vista econômico é o de Matheus Pereira. O "Pirulão" tem apenas 5% de seus direitos ligados ao Corinthians, apesar de ser jogador do clube desde os 11 anos de idade. No primeiro semestre de 2014, a então diretoria encabeçada por Mário Gobbi decidiu dar 30% dos direitos ao próprio jogador (e seus investidores) em forma de luvas para assinatura do contrato profissional. Posteriormente, para pagar dívidas referentes a negociações com o volante Ralf e o zagueiro Cleber, a diretoria cedeu 30% dos direitos de Matheus Pereira, 30% de Malcom e 30% de Guilherme Arana ao empresário Fernando Garcia. Como parte do pagamento pela compra de Petros, também ligado a Garcia, o Timão se desfez de 35% dos direitos de Matheus. Assim, sobraram apenas 5% para o clube. Com a baixa fatia, o Timão não deve lucrar muito com a possível venda do jogador para a Juventus, da Itália. Segundo notícias, ele já está na Europa e deve assinar por cerca de 2 milhões de euros. Deste valor, cerca de R$ 400 mil seria destinado ao Timão (sem descontar impostos).

Malcom

Na atual década, Malcom talvez tenha sido a principal revelação das categorias de base do Corinthians. Integrado ao elenco profissional em 2014, sob comando de Mano Menezes, ele ganhou destaque no ano passado, nas mãos de Tite, quando foi titular da campanha do hexacampeonato brasileiro. Constantemente presente em revistas estrangeiras especializadas em promessas do futebol mundial, Malcom chegou a ser capa de jornais espanhóis por conta de um suposto interesse do Barcelona. A expectativa do Timão de lucrar com o prata da casa, contudo, foi para o ralo. Dono de apenas 30% dos direitos econômicos do atleta (Fernando Garcia tinha 40% e os outros 30% eram divididos entre outros três agentes que trabalham em parceria com Garcia), o Corinthians recebeu cerca de R$ 4,9 milhões pela venda do atacante ao modesto Bordeaux, da França. A diretoria evita ao máximo falar no assunto alegando que o clube francês exigiu o acréscimo de cláusulas de confidencialidade ao contrato de transferência. Especula-se que a diretoria alvinegra tenha pedido uma cláusula futura na qual receba algum percentual em caso de venda futura superior a 3 milhões de euros.

André Vinícius

Filho do hoje vice-presidente do Corinthians André Luiz de Oliveira, mais conhecido como André Negão, André Vinícius já acumulou dez empréstimos como jogador do Timão. Hoje com 24 anos, ele foi revelado nas categorias de base, mas praticamente não teve espaço na equipe principal e, com renovações recorrentes, acabou emprestado a clubes como Osasco Audax, Portuguesa, Nacional-SP, Bragantino, Paraná e até Nacional da Ilha da Madeira, de Portugal. Braço direito de André Negão, Andrés Sanchez comprou, em nome do Corinthians, 30% dos direitos econômicos de André Vinícius ainda em 2011, quando era presidente do clube. Em 2015, conforme apontado numa reportagem publicada pelo portal UOL, o salário do zagueiro era de R$ 40 mil, pagos pelo Timão. Independentemente de jogar ou não com a camisa alvinegra, o filho de André Negão se acostumou a ostentar uma vida de luxo nas redes sociais, gerando críticas de parte da torcida. Vale lembrar que o hoje vice-presidente e parceiro de Andrés Sanchez em seu gabinete como deputado federal foi preso mês passado por porte ilegal de armas e está sob investigação por suposto esquema de corrupção envolvendo a construtora Odebrecht e as obras da Arena Corinthians.

Matheus Cassini

Campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2015 pelo Timão, o jovem meia-atacante foi negociado precocemente para o futebol europeu, onde "sumiu". Tido como um dos principais talentos daquela safra, Cassini tinha 70% de seus direitos econômicos ligados ao Corinthians, que recebeu só cerca de R$ 3,5 milhões pelo atleta que na época (maio do ano passado) tinha 19 anos. O agente do jogador chegou a falar em descaso do Corinthians, que havia se recusado a renovar o contrato profissional do atleta e só decidiu fazer uma proposta quando soube do interesse do Palermo. O ex-presidente e superintendente de futebol na época Andrés Sanchez teria conduzido a negociação. Ao ver a repercussão negativa que a saída do jovem talento tinha tido entre os torcedores, tentou segurá-lo, mas já era tarde. O atleta, que hoje poderia ser útil no elenco alvinegro, não jogou um minuto sequer pelo Palermo, ele estreou no futebol europeu dez meses após deixar o Timão, pelo Inter Zapresic, da Croácia, onde está emprestado.

Léo Cittadini

Revelado nas categorias de base do Santos e hoje com 21 anos, Léo Citadini por pouco não foi jogador do futebol infantil do Corinthians. O avô do jovem jogador é primo de Antônio Roque Citadini e, em 2008, tentou uma oportunidade de ser testado no Terrão do Parque São Jorge. O próprio Antônio Roque Citadini, na época ex-dirigente e conselheiro do clube, aconselhou o pai do garoto a desistir da ideia. O motivo? As denúncias de irregularidades em negociações e até boatos de pedofilia no futebol amador do Timão. O que também teria pesado contra o acerto do jovem com o Corinthians é o próprio parentesco, haja vista que oposicionistas de Antônio Roque Citadini iriam associar o negócio a algum tipo de nepotismo. Anos depois, quando jogava na base do Guarani, o pequeno Citadini chegou a receber proposta do Corinthians, mas recusou. Em 2013, foi campeão da Copinha pelo Santos e integrado ao elenco profissional da equipe praiana.

Marquinhos

A venda do zagueiro Marquinhos talvez seja o caso mais emblemático das categorias de base do Corinthians nos últimos anos. Isso porque o atleta saiu a "preço de banana" em 2012 tendo pouquíssimas chances na equipe titular e hoje, menos de quatro anos depois, é um dos jogadores mais valorizados do mundo da bola, sendo cotado como futuro defensor do Barcelona. Revelado na equipe campeã da Copinha de 2012, mas integrado ao elenco campeão brasileiro de 2011, o beque foi inscrito na Libertadores de 2012 e portanto é considerado campeão junto ao elenco alvinegro, apesar de ter sido reserva. Sem oportunidades com Tite, foi emprestado e posteriormente vendido por pouco mais de R$ 8 milhões à Roma. Menos de um ano depois, foi negociado com o PSG por mais de 30 milhões de euros (algo em torno de R$ 90 milhões). Atualmente, jornais espanhóis dão conta de que o Barcelona estaria disposto a pagar quase R$ 200 milhões pelo beque que constantemente aparece nas convocações de Dunga na Seleção Brasileira.

Centro de Treinamento da Base

A demora na entrega do centro de treinamento das categorias de base, em terreno localizado ao lado do CT Joaquim Grava, é uma espécie de cereja no bolo em que se tornou os escândalos do futebol amador corinthiano. Mário Gobbi assumiu a presidência do clube em 2012 e tinha a entrega do CT da base como principal objetivo de sua gestão. Seu sucessor, Roberto de Andrade, da mesma chapa (Renovação e Transparência), já se aproxima da metade do mandato e a garotada do Timão segue treinando de forma provisória no Parque São Jorge e nas dependências do Flamengo de Guarulhos, que tem parceria com o Corinthians. A mais recente promessa era de que o local seria disponibilizado a partir do fim do ano passado para ajudar na preparação da equipe Sub-20 para a disputa da Copinha de 2016, o que não foi cumprido. Atualmente, a parte externa já conta com gramado, traves e alambrado. Ainda não há, contudo, uma previsão oficial para o fim das obras. Enquanto isso, a comissão técnica da equipe principal perde a oportunidade de observar de perto possíveis novos talentos do Timãozinho, que treinam e se alojam na "obscuridade".

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