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Justiça aceita denúncia do MP-SP e torna Duilio réu por uso de cartão corporativo do Corinthians

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Por Felipe Sales e Matheus Pogiolli

Presidente Duilio Monteiro Alves durante o amistoso contra o Red Bull Bragantino II

Rodrigo Coca/Agência Corinthians

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e tornou Duilio Monteiro Alves, ex-presidente do Corinthians, réu pelo crime de apropriação indébita. O ex-mandatário alvinegro é acusado de utilizar o cartão de crédito corporativo do clube para fins pessoais durante sua gestão, entre 2021 e 2023.

A informação foi divulgada inicialmente pelo Blog do Macedo e confirmada pelo Meu Timão. Segundo a denúncia apresentada pelo promotor Cássio Roberto Conserino, do MP-SP, o ex-dirigente teria utilizado o cartão corporativo do Corinthians para pagar despesas pessoais, como restaurantes, cabeleireiro, compras em lojas de aeroporto, cigarro, cerveja, diárias em hotéis de luxo e aquisição de vinhos. De acordo com o Ministério Público, os gastos não teriam relação com a função institucional da presidência, que não é remunerada.

A denúncia foi recebida pela juíza Elaine Cristina Pulcineli Vieira Gonçalves, da 15ª Vara Criminal de São Paulo. A magistrada entendeu que há indícios suficientes de autoria e materialidade do crime, o que permite o prosseguimento do processo criminal contra o acusado.

Dessa forma, Duilio terá dez dias, após ser citado pela Justiça, para apresentar resposta à acusação por escrito por meio de advogado. A juíza também determinou que a eventual necessidade de perícia contábil será analisada ao longo do andamento do processo. Na sequência, a ação seguirá para a fase de instrução, com audiências para depoimentos, interrogatórios e produção de provas.

Conforme já havia revelado o Meu Timão, uma das principais suspeitas envolve gastos registrados entre 26 de setembro e 31 de outubro de 2023, que somariam mais de R$ 80 mil em despesas consideradas fora do padrão permitido pelo clube. Em depoimento prestado à promotoria em novembro, Duilio afirmou ter utilizado apenas R$ 1.300 do cartão corporativo.

Segundo o Ministério Público, o prejuízo apontado ao Corinthians é de R$ 41.822,62, valor que inclui juros e correção monetária, além de um pedido de indenização de R$ 31.366,96 aos cofres do clube. As faturas analisadas pelo MP-SP abrangem o período entre maio de 2021 e dezembro de 2023.

Na denúncia, a promotoria também solicitou uma série de medidas cautelares, como bloqueio de bens de Duilio para ressarcimento ao clube, proibição de acesso ao Corinthians e contato com testemunhas, suspensão do ex-presidente do quadro associativo, além de restrições para viagens e eventual monitoramento eletrônico. O Ministério Público também pediu a quebra de sigilo bancário e fiscal dos denunciados.

Apesar de aceitar a denúncia e tornar o ex-presidente réu, a juíza Elaine Cristina Pulcineli Vieira Gonçalves não acolheu parte desses pedidos, como o bloqueio de bens, a quebra de sigilo bancário e fiscal e a aplicação de medidas cautelares. Com isso, a decisão afirma que não há necessidade dessas ações neste momento, pois não foi demonstrado risco ao processo. Em relação ao quadro associativo, Duilio foi afastado das atividades do clube, inclusive do Conselho de Orientação (Cori), onde ocupava uma das vagas de membros vitalícios por ter sido presidente do Timão.

O caso também tem relação com outras investigações envolvendo o uso de cartões corporativos no Corinthians. Em outubro de 2025, o ex-presidente Andrés Sanchez também foi denunciado pelo MP-SP por suposto uso indevido dos cartões do clube entre 2018 e 2020. As acusações incluem crimes de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e crimes tributários, envolvendo gastos pessoais que somariam cerca de R$ 480 mil.

Na ocasião, a Justiça determinou medidas cautelares contra Andrés, como restrições de contato com integrantes da diretoria do clube. Posteriormente, o MP apontou o descumprimento dessas medidas e solicitou o endurecimento das restrições, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e a entrega de seu passaporte espanhol.

Além deles, o ex-gerente financeiro do Corinthians, Roberto Gavioli, também virou réu no caso envolvendo Duilio, assim como já havia sido denunciado no processo relacionado a Andrés. A denúncia aponta sua participação no crime de apropriação indébita por não impedir o uso do cartão corporativo do clube para despesas pessoais durante as gestões.

Segundo o Ministério Público, Gavioli teria deixado de exercer a fiscalização das faturas e das autorizações de pagamento, função que fazia parte de suas atribuições no departamento financeiro. O profissional, que atuava como superintendente financeiro do Timão na época da primeira denúncia envolvendo Andrés Sanchez, foi afastado de suas atividades.

Relembre o caso

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu, em agosto de 2025, uma investigação sobre os gastos de Andrés Sanchez (2018 a 2020) e Duilio Monteiro Alves (2021 a 2023) em seus respectivos mandatos como presidentes do Corinthians. O caso se iniciou após denúncias do uso do cartão corporativo por parte de Andrés, que admitiu as despesas pessoais, e vir a público uma planilha de R$ 80 mil em 40 dias durante a gestão de Duilio. Pouco depois, Augusto Melo também entrou na mira do MP-SP.

Assim, o Ministério Público, que obteve quebra de sigilo, segue investigando o caso e até já ouviu os principais nomes ligados ao Corinthians. Osmar Stabile e Romeu Tuma Júnior, respectivamente presidente do clube e do Conselho Deliberativo, já participaram das oitivas (ambos na condição de testemunha), assim como o ex-gerente financeiro Roberto Gavioli e o próprio Andrés Sanchez, além de Duilio. O MP também solicitou uma série de documentos ao clube e aos Conselhos Deliberativo (CD) e de Orientação (Cori).

O MP-SP solicitou o afastamento temporário dos três últimos presidentes de todos os colegiados do clube até o fim da investigação. Augusto Melo, vale lembrar, não tem mais poderes políticos devido ao impeachment, enquanto os outros dois nomes integram o Conselho de Orientação do Corinthians.

A 2ª Vara de Crime Organizado, Lavagem de Dinheiro e Crime Tributário é a responsável por analisar a denúncia de Andrés e Gavioli, além de novos denunciados. Roberto, inclusive, foi afastado do cargo financeiro do Corinthians.

Posteriormente, Andrés foi denunciado pelo Ministério Público e informado de que não deveria entrar em contato com membros da atual diretoria. Entretanto, segundo depoimentos, o ex-presidente se encontrou com o atual secretário-geral do clube. Além disso, outras denúncias aconteceram, o que fez Andrés ter que ressarcir o Timão.

Dias depois, o MP-SP apontou o descumprimento de medida cautelar pelo ex-presidente. A manifestação, assinada pelo promotor Cássio Roberto Conserino, solicitou o endurecimento imediato das restrições impostas a Andrés Sanchez, incluindo monitoramento eletrônico por meio de tornozeleira e a entrega do passaporte espanhol.

Já em meados de fevereiro, a investigação apontou que Denilson Grillo, ex-motorista de Duilio, recebeu mais de R$ 1,2 milhão em espécie ao longo de três anos. Há suspeita do MP-SP que empresas de fachada foram utilizadas para justificar os gastos e, assim, desviar o dinheiro do clube.

No início de março, a investigação ganhou um novo capítulo. O Ministério Público de São Paulo iniciou a apuração de uma movimentação suspeita de mais de R$ 3,4 milhões em dinheiro vivo nas contas do Corinthians durante as gestões dos ex-presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves. Os valores teriam sido entregues a um ex-funcionário do clube. A informação foi divulgada pelo ge.globo.

Segundo a reportagem, o ex-chefe de segurança do Corinthians, João Odair de Souza, conhecido como Caveira, recebeu mais de R$ 3,4 milhões em espécie entre março de 2018 e dezembro de 2023, sem a emissão de notas fiscais.

Paralelamente, Andrés, Duilio e Augusto são alvos de investigações internas do clube, que podem acarretar em punições severas como suspensão e até a expulsão do Corinthians.

O que diz Duilio Monteiro Alves?

Em contato com o ge.globo, o ex-presidente Duilio Monteiro Alves se manifestou por meio de nota assinada pelo advogado Lucas Lopes Knupp. No comunicado, a defesa afirmou ter confiança no Poder Judiciário e no devido processo legal, destacando que todos os fatos serão devidamente esclarecidos ao longo da tramitação do processo.

“A defesa de Duilio Monteiro Alves informa que tomou conhecimento da decisão judicial que recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público, medida que representa o início formal do processo, etapa em que os fatos passam a ser analisados com a garantia do contraditório e da ampla defesa.Na mesma decisão, a Justiça indeferiu pedidos feitos pelo Ministério Público, como a quebra de sigilos bancário e fiscal, o bloqueio de bens e outras medidas restritivas, por entender que não havia elementos que justificassem tais providências. A defesa de Duilio Monteiro Alves reafirma sua confiança no Poder Judiciário e no devido processo legal, certos de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos ao longo da tramitação do processo”, comentou.

Agora, a defesa terá o prazo terá dez dias, após ser citado pela Justiça, para apresentar resposta à acusação por escrito por meio do advogado.

Veja mais em: Presidentes do Corinthians, Diretoria do Corinthians e Duílio Monteiro Alves.

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