Promotor do MP agenda ida ao Parque São Jorge em apuração sobre cartões corporativos do Corinthians
2.3 mil visualizações 33 comentários Reportar erro
Por Felipe Sales e Daniel Keppler
O promotor Cássio Roberto Conserino deve comparecer ao Parque São Jorge, sede social do Corinthians, nesta quinta-feira
Gustavo Lima / Meu Timão
A investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que apura o suposto uso indevido de cartões corporativos do Corinthians por ex-presidentes do clube ganhará um novo capítulo. Nesta quinta-feira, a pedido do órgão, o promotor Cássio Roberto Conserino, responsável pelo caso, estará no Parque São Jorge, sede social do clube, para receber documentos exigidos no decorrer da apuração.
A informação foi divulgada inicialmente pelo Blog do Macedo e confirmada pelo Meu Timão. Segundo o documento ao qual o portal teve acesso, o Ministério Público solicitou ao Corinthians a designação de uma audiência no Parque São Jorge para análise de documentos relacionados em pedido enviado ao presidente Osmar Stabile. O encontro deve acontecer no dia 12 março, em um horário acordado entre as partes.
A Promotoria entende que o clube, apontado como vítima nas investigações, tem demonstrado interesse em colaborar com a apuração dos fatos, inclusive ao se habilitar como assistente de acusação em processos que envolvem os ex-presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves, além do ex-gerente financeiro Roberto Gavioli. Nos últimos dias, a Justiça de São Paulo tornou Duilio Monteiro Alves e Roberto Gavioli réus pelo suposto crime de apropriação indébita, em decorrência do uso do cartão corporativo do clube para fins pessoais pelo ex-presidente durante seu mandato, entre 2021 e 2023.
Enquanto isso, ainda em 2025, Andrés e Roberto Gavioli foram denunciados pelo Ministério Público de São Paulo pelos eventuais crimes de lavagem de dinheiro e crimes tributários, durante o último mandato de Sanchez (2018-2020).
No ofício, Conserino afirma que parte da documentação enviada anteriormente ao Ministério Público foi considerada incompleta. Por isso, solicitou autorização para que um representante do órgão compareça à sede social do clube para acessar os materiais e dar continuidade às investigações. O documento também destaca que o Corinthians poderá buscar ressarcimento por eventuais danos materiais e morais caso haja condenação dos investigados.
Além disso, o MP ressalta que o clube já instaurou investigações internas sobre o caso, citando os procedimentos conduzidos pela Comissão de Justiça (CJ) e pela Comissão de Ética e Disciplina (CE) do Conselho Deliberativo (CD).
O ofício ainda reforça que, diante da postura adotada pelo Corinthians — incluindo a adoção de uma política de compliance considerada íntegra —, não se faz necessária, neste momento, uma medida mais enérgica, como busca e apreensão. Segundo o Ministério Público, o Timão é uma entidade desportiva apontada como vítima e que tem demonstrado interesse em colaborar com as investigações conduzidas pelo órgão.
Além da investigação conduzida pelo MP, a Comissão de Ética do Corinthians agendou uma oitiva com Andrés Sanchez para a próxima segunda-feira. O ex-dirigente deverá se apresentar de forma virtual ao órgão presidido por Leonardo Pantaleão, onde terá a oportunidade de se defender e apresentar comprovantes dos gastos estimados em mais de R$ 180 mil no cartão corporativo do clube durante sua gestão.
Após o parecer da Comissão de Ética, caberá ao plenário do Conselho Deliberativo decidir sobre eventual punição, que pode variar entre advertência, suspensão ou até expulsão, conforme prevê o Estatuto do clube.
A Comissão de Justiça ainda apura o caso envolvendo Duilio Monteiro Alves e tem realizado análises de documentos do setor financeiro, além de oitivas com ex-funcionários do clube. O próximo foco das investigações será a gestão de Augusto Melo.
Relembre o caso
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu, em agosto de 2025, uma investigação sobre os gastos de Andrés Sanchez (2018 a 2020) e Duilio Monteiro Alves (2021 a 2023) em seus respectivos mandatos como presidentes do Corinthians. O caso se iniciou após denúncias do uso do cartão corporativo por parte de Andrés, que admitiu as despesas pessoais, e vir a público uma planilha de R$ 80 mil em 40 dias durante a gestão de Duilio. Pouco depois, Augusto Melo também entrou na mira do MP-SP.
Assim, o Ministério Público, que obteve quebra de sigilo, segue investigando o caso e até já ouviu os principais nomes ligados ao Corinthians. Osmar Stabile e Romeu Tuma Júnior, respectivamente presidente do clube e do Conselho Deliberativo, já participaram das oitivas (ambos na condição de testemunha), assim como o ex-gerente financeiro Roberto Gavioli e o próprio Andrés Sanchez, além de Duilio. O MP também solicitou uma série de documentos ao clube e aos Conselhos Deliberativo (CD) e de Orientação (Cori).
O MP-SP solicitou o afastamento temporário dos três últimos presidentes de todos os colegiados do clube até o fim da investigação. Augusto Melo, vale lembrar, não tem mais poderes políticos devido ao impeachment, enquanto os outros dois nomes integram o Conselho de Orientação do Corinthians.
A 2ª Vara de Crime Organizado, Lavagem de Dinheiro e Crime Tributário é a responsável por analisar a denúncia de Andrés e Gavioli, além de novos denunciados. Roberto, inclusive, foi afastado do cargo financeiro do Corinthians.
Posteriormente, Andrés foi denunciado pelo Ministério Público e informado de que não deveria entrar em contato com membros da atual diretoria. Entretanto, segundo depoimentos, o ex-presidente se encontrou com o atual secretário-geral do clube. Além disso, outras denúncias aconteceram, o que fez Andrés ter que ressarcir o Timão.
Dias depois, o MP-SP apontou o descumprimento de medida cautelar pelo ex-presidente. A manifestação, assinada pelo promotor Cássio Roberto Conserino, solicitou o endurecimento imediato das restrições impostas a Andrés Sanchez, incluindo monitoramento eletrônico por meio de tornozeleira e a entrega do passaporte espanhol.
Já em meados de fevereiro, a investigação apontou que Denilson Grillo, ex-motorista de Duilio, recebeu mais de R$ 1,2 milhão em espécie ao longo de três anos. Há suspeita do MP-SP que empresas de fachada foram utilizadas para justificar os gastos e, assim, desviar o dinheiro do clube.
No início de março, a investigação ganhou um novo capítulo. O Ministério Público de São Paulo iniciou a apuração de uma movimentação suspeita de mais de R$ 3,4 milhões em dinheiro vivo nas contas do Corinthians durante as gestões dos ex-presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves. Os valores teriam sido entregues a um ex-funcionário do clube. A informação foi divulgada pelo ge.globo.
Segundo a reportagem, o ex-chefe de segurança do Corinthians, João Odair de Souza, conhecido como Caveira, recebeu mais de R$ 3,4 milhões em espécie entre março de 2018 e dezembro de 2023, sem a emissão de notas fiscais.
Paralelamente, Andrés, Duilio e Augusto são alvos de investigações internas do clube, que podem acarretar em punições severas como suspensão e até a expulsão do Corinthians.
